Vila Viçosa, 8 de novembro de 2024, sexta-feira, de manhã, no reinaugurado Cineteatro Florbela Espanca, cheiro “a novo”, sala cheia.
Ingredientes certos para um dos momentos históricos da História mais recente da localidade que viu nascer umas das históricas poetisas portuguesas. Mas algo falta.
Aquela “cereja no topo do bolo”, o último patamar da grandeza do evento, o ingrediente secreto. Faltava ouvir-se a obra da patrona.
Por entre os camarins e as cortinas ao lado do palco, estava José Geadas, jovem fadista natural de Rio de Moinhos, que conquistou a sua fama, mais jovem ainda, quando ainda estudava em Vila Viçosa.
Faltava unir-se a obra à “portugalidade”. A solução? Luzes apagadas, uma guitarra portuguesa, uma viola e uma voz. Caros leitores, “silêncio que se vai cantar o fado!”.
Obra de arte que, para além de aplaudida, não foi ao acaso. Foi um pedido expresso e único. José Geadas, nunca tinha cantado tal melodia. Nunca tinha cantado “Amar!”
«Quando falaram da Câmara Municipal de Vila Viçosa para ser eu a inaugurar o Cineteatro, disseram-me que gostavam muito que cantasse um poema de Florbela Espanca», referiu-nos o fadista.
Mesmo já sabendo o poema, já que «é uma poetisa que eu gosto muito», sendo «das minhas preferidas», a canção eternizada pela eterna Amália Rodrigues foi aprendida pelo jovem no próprio dia.
«Como já sabia o poema e já sabia a melodia, foi só chegar aqui, de manhã, para fazermos o ensaio de som. Foi tirar o tom e cantar como se fosse num espetáculo», confessou o artista, acrescentando que «acho que se acertou em cheio».
Estava assim coroada uma manhã de muita emoção, pois ao fim de largos anos, estava reaberto o único espaço cultural de Vila Viçosa. Ficava assim uma manhã marcada na História.

Era preciso “cantá-la assim florida”, com a “Primavera em cada vida” da poetisa. José Geadas recordou e nunca esqueceu, muito menos ficou indiferente (também recorrendo ao poema) o que foi este dia.
«Cantar Florbela Espanca no palco é sempre especial, principalmente na terra onde nasceu esta grande poetisa», destacou o fadista.


No meio da poesia, das guitarras, vozes e melodias quase que se esquecia a tragédia de 2023. Agora, «com uma cara nova», o jovem de Rio de Moinhos reforçou a «alegria enorme» do abrir das «portas da cultura» no concelho calipolense.
«Com este cineteatro novo, acho que é uma mais-valia para trazer mais cultura para esta terra que bem merece», vincou, dizendo ainda que «um povo sem cultura é um povo sem história».
História esta que se vê «em cada esquina» onde «há sempre um monumento histórico».
Juntando o reinaugurado Cineteatro Florbela Espanca, o cheiro “a novo”, a sala cheia, a poetisa e ainda uma «acústica incrível», parecem estar reunidos «todos os ingredientes para se fazerem aqui grandes concertos».















