O Toucinho do Céu, confecionado por Cesaltina Bandeiras, doceira de Portalegre, sagrou-se o grande vencedor do 2.º Concurso de Doces Conventuais de Vila Viçosa, uma iniciativa integrada na Feira da Doçaria Conventual da localidade. O evento reuniu mais de uma dezena de participantes e teve como objetivo valorizar e promover o legado da doçaria conventual alentejana.
O júri, liderado por Ana Soeiro, diretora da Qualifica, destacou a elevada qualidade dos doces a concurso. «A qualidade é a palavra de ordem. Tivemos bolos de altíssimo nível, tanto os provenientes da região como os de outras localidades. A diferença entre os melhores foi mínima, decidida por um ou dois pontos. Isso reflete a excelência desta edição», afirmou. Ana Soeiro aproveitou ainda para sublinhar a homenagem à doceira Lurdes Ramos, que marcou a doçaria da região e cujo legado foi recordado nesta edição.
Sobre o doce vencedor, Soeiro considerou justa a atribuição do prémio a Cesaltina Bandeiras. «Portalegre venceu, mas o tipo de doce é muito semelhante às tradições de Vila Viçosa. Não há espaço para rivalidades, porque a qualidade prevalece. Este foi, sem dúvida, o melhor doce do concurso», concluiu.
Cesaltina Bandeiras, que participou pela primeira vez nesta competição, não escondeu a emoção pelo reconhecimento do seu trabalho. «Sempre gostei de doces conventuais. Este gosto acompanha-me desde criança e aprofundou-se com um curso que tirei em Portalegre há 23 anos. A receita do Toucinho do Céu é de família, passada por uma tia que aprendeu com as últimas freiras de um convento em Portalegre. É um doce que exige dedicação em cada etapa do processo, desde a cozedura da massa no tacho até ao cuidado nos detalhes», partilhou.
A doceira também destacou os desafios atuais da doçaria conventual, como a falta de jovens interessados em aprender as técnicas tradicionais. «Hoje em dia, muitos produtos são feitos com máquinas e ingredientes industriais, como ovos em pacote, mas nunca é a mesma coisa. A tradição está no trabalho manual, nos ovos naturais e no amor colocado em cada detalhe. É isso que dá alma aos doces», reforçou.
Além do Toucinho do Céu, outros doces se destacaram no concurso. O Tecolamenco, confecionado por Olimpia Caia, arrecadou o segundo lugar. O terceiro lugar foi atribuído, em ex aequo, ao Queijo do Céu, também de Olimpia Caia, e aos Rebuçados de Portalegre, da marca Sonho Doce. Uma distinção especial foi ainda entregue ao Licor de Ginja da Destilaria Doisbelos, cujo método artesanal foi elogiado pelo júri.
O evento, promovido pela Câmara Municipal de Vila Viçosa, reafirmou-se como um espaço privilegiado para a celebração da tradição e para o incentivo à preservação da doçaria conventual. «Esperamos que iniciativas como esta continuem a inspirar as novas gerações a manter vivo este património cultural tão rico e único», concluiu Ana Soeiro.
Fique com as imagens de alguns dos doces a concurso:












































