O turismo em Portugal deverá manter níveis próximos dos máximos históricos em 2026, num cenário de crescimento mais moderado, segundo o Anuário de Tendências do IPDT – Tourism Intelligence. As projeções apontam para até 34 milhões de hóspedes, cerca de 83 milhões de dormidas e proveitos que podem atingir os 7 mil milhões de euros.
De acordo com o estudo, o setor entra numa fase de consolidação após dois anos de resultados elevados, mantendo-se como um dos principais pilares da economia nacional.
Previsões apontam para estabilidade após crescimento
Segundo o Barómetro do Turismo, Portugal poderá receber entre 31,1 e 34 milhões de hóspedes em 2026, com dormidas estimadas entre 80,1 e 83 milhões e proveitos globais entre 6,6 e 7 mil milhões de euros.
Os dados indicam uma estabilização dos indicadores após 2024 e 2025, anos marcados por resultados elevados. O setor mantém-se em patamares históricos, refletindo uma valorização contínua da oferta turística .
Jorge Costa, presidente do IPDT, refere que «2026 deverá marcar uma fase de consolidação, com crescimento mais moderado», destacando o peso do turismo na economia, com mais de 10% do PIB.
Segurança e imagem do país sustentam crescimento
O estudo identifica a segurança, estabilidade política e confiança económica como o principal fator de competitividade do destino Portugal, apontado por 75% dos especialistas.
Seguem-se a imagem e atratividade do país (68%) e a qualidade e diversidade da oferta turística (66%). A conectividade e eficiência operacional também surgem como fatores relevantes para o desempenho do setor .
Desafios persistem no setor turístico
Apesar das perspetivas positivas, o relatório identifica constrangimentos para 2026. As acessibilidades e mobilidade são o principal desafio, referidas por 48% dos inquiridos, sobretudo ao nível da capacidade aeroportuária.
A escassez de recursos humanos qualificados (45%) e a instabilidade económica internacional (43%) são igualmente apontadas como riscos para o setor. A pressão turística em determinados destinos também é referida por parte dos especialistas.
Alentejo com oportunidade na diversificação da oferta
No contexto nacional, regiões de baixa densidade como o Alentejo surgem alinhadas com as prioridades estratégicas definidas para o setor, nomeadamente a requalificação e diversificação da oferta turística.
O relatório destaca que estas áreas podem beneficiar da procura crescente por experiências ligadas à autenticidade, ao património e à identidade local, contribuindo para a coesão territorial e distribuição dos fluxos turísticos.
Dados do setor indicam que uma parte significativa da oferta turística já se encontra em territórios menos densos, reforçando o papel do turismo na dinamização do interior .
Tendências apontam para turismo mais consciente
O Anuário identifica ainda mudanças no comportamento dos viajantes, com destaque para a procura de experiências mais personalizadas e ligadas ao bem-estar, silêncio, autenticidade local e desintoxicação digital.
Entre as tendências para 2026 surgem também o regresso a destinos já visitados, o turismo literário e o uso da inteligência artificial para personalização da experiência turística .
Turismo mantém peso estrutural na economia
O IPDT sublinha que o turismo continua a assumir um papel central na economia portuguesa, com impacto no emprego, na atividade empresarial e na coesão territorial.
Atualmente, o setor emprega cerca de 339 mil pessoas e envolve mais de 50 mil empresas, representando uma componente relevante do tecido económico nacional .















