A obra do pintor e ceramista Jorge Rey Colaço está exposta em Évora e em Vila Viçosa, tendo sido também lançado um roteiro sobre os painéis de azulejo do artista na região Alentejo.
A exposição intitulada “Jorge Colaço e a Azulejaria Figurativa do seu Tempo” foi inaugurada em Évora, na sexta-feira, e em Vila Viçosa, este sábado.
Trata-se de uma mostra, patente até 22 de abril do próximo ano, organizada pela DRCAlentejo, Museu-Biblioteca da Fundação Casa de Bragança e Direção-Geral do Património Cultural – Museu Nacional do Azulejo.
O objetivo passa por “revelar não só uma obra cerâmica notável de um ceramista muito produtivo ao longo da primeira metade do século XX, mas também chamar a atenção para um património riquíssimo azulejar que existe em Portugal, mas que existe sobretudo também muito aqui no Alentejo em espaços públicos”, explicou Maria de Jesus Monge, Diretora do Museu Biblioteca da Fundação Casa de Bragança.
A responsável salientou que “estamos habituados a conviver com o azulejo e muitas vezes não apreciamos devidamente e, portanto, o nosso objetivo é duplo, por um lado revelar uma figura importante da arte portuguesa, mas também fazer com que todos aqueles que convivem no seu quotidiano com aquela que é considerada a mais identitária das expressões artísticas portuguesas a valorizem e a valorizem no seu território”.
Sobre as exposições a Diretora do Paço Ducal de Vila Viçosa referiu que “em Vila Viçosa a exposição tem uma vertente mais artística e monumental naturalmente de acordo com aquilo que é o espaço onde está integrada, já a que está na Direção Geral de Cultura do Alentejo é um pouco mais didática”.
Com estas exposições foi lançado um roteiro sobre os painéis de azulejo do artista na região Alentejo, onde é “possível saber onde estão painéis de Jorge Colaço espalhados pelo Alentejo e são muitos, em estações de caminho de ferro, em mercados, em casas particulares, portanto, temos essa grande ambição, por um lado contribuir para um melhor conhecimento artístico e por outro promover também uma maior consciencialização do património que nos rodeia no nosso quotidiano”, disse-nos Maria de Jesus Monge.
Já sobre a obra de Jorge Colaço, é certo que “todos nós que alguma vez já entrámos numa estação de caminho de ferro, encontramo-nos facilmente painéis de azulejos que narram episódios da História portuguesa que remetem para costumes, locais, para paisagem e tudo isso tem a ver exatamente com esta ideia de mostrar através de postais ilustrados o que de melhor havia e o Jorge Colaço interpretou todo essa necessidade decorativa de forma exemplar”.
De salientar que o artista “realizou mais de 1.000 painéis de azulejos em Portugal continental e insular, bem como para outros países, como Espanha, Inglaterra, Suíça, Brasil, Argentina, Cuba” e também para Goa, destacaram as entidades promotoras da mostra.
Nascido em Tânger, a 26 de fevereiro de 1868, e falecido a 23 de agosto de 1942, no Alto do Lagoal, em Caxias, Jorge Rey Colaço estudou pintura em Madrid e Paris.
Tendo trabalhado como caricaturista e pintor a óleo, viria a destacar-se como pintor de azulejos, sendo, à época, considerado pelo público e outros artistas como a figura mais importante da sua geração no exercício desta arte.
O tempo artístico em que Jorge Colaço desenvolveu a sua obra foi marcado pelo surgimento e desenvolvimento de um modelo de azulejaria figurativa de estética revivalista e temática historicista e naturalista de gosto tardo-romântico.
Maria de Jesus Monge disse-nos também que com esta exposição “retoma-se a toda a atividade cultural do Paço, para além dos concertos que pararam o mínimo possível”, acrescentando que “estamos neste momento já a começar a pensar a próxima temporada de concertos, temos também naturalmente o nosso ciclo de edições, temos ainda até ao final deste ano provavelmente mais duas publicações ainda a sair e a depois de todas essas atividades que no quotidiano nós vamos promovendo e que esperamos ajudem a compreender melhor todo o património que aqui temos e também a promover o gosto a investigação e a fruição, porque não é obrigatório vir para este espaço para uma função muito determinada, pode-se visitar este espaço apenas com a intenção de passear e ver o que é bonito.”
Fique de seguida com as imagens da inauguração da exposição, numa reportagem de Hugo Calado:















