O projeto “MARMOSAICO: Escola de Futuro” foi apresentado esta segunda-feira, em Vila Viçosa, como uma resposta de inovação social orientada para a inclusão e capacitação de jovens em situação de vulnerabilidade, cruzando empreendedorismo, formação prática e a indústria cultural e criativa do mármore.
Promovida pelo Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Patrimónios – CECHAP e integrada no programa Portugal Inovação Social, a iniciativa tem uma duração prevista de três anos e resulta de uma candidatura apresentada em 2024. Segundo Carlos Filipe, do CECHAP, trata-se de um projeto que «procura, de forma inovadora, resolver questões locais de acesso a públicos que têm menos oportunidades».
Dar um rumo a quem não o encontra
O projeto destina-se a três grupos específicos: jovens NEET, que não estudam nem trabalham, pessoas com deficiência e jovens filhos de migrantes. Públicos que, como explicou Carlos Filipe, enfrentam dificuldades acrescidas de integração social e profissional.
«São jovens que estão à procura de encontrar um rumo para o seu caminho, quer profissional, quer através de oportunidades de continuar a estudar ou de integrar na sociedade», afirmou, sublinhando que o projeto assume um papel de mediação entre problemas sociais identificados e soluções concretas em articulação com a comunidade.
A ligação à indústria dos mármores surge como um eixo central da iniciativa, aproveitando a identidade económica e cultural da região. «A indústria dos mármores hoje é muito valorizada através das tecnologias e precisa de recursos humanos qualificados», explicou o responsável, acrescentando que o projeto pretende também responder a essa necessidade do setor.
Formação prática e ligação ao território
As ações de formação decorrerão em Vila Viçosa, com uma forte componente prática e contacto direto com a indústria. O Centro de Estudos CECHAP será o ponto central das atividades, complementado com visitas e experiências em contexto real.
«Não estamos a pensar em modelos de grande conteúdo teórico. São sobretudo práticos», frisou Carlos Filipe, salientando que os módulos foram desenhados para capacitar os participantes a partir da herança histórica do mármore, inspirada no conceito de mosaico, enquanto junção de saberes e percursos.
O projeto envolve ainda parceiros académicos e tecnológicos, incluindo universidades e entidades ligadas à inovação, criando um ecossistema que permite aos jovens explorar diferentes caminhos, desde a empregabilidade até ao empreendedorismo nas indústrias culturais e criativas.
Financiamento e continuidade além do calendário
O MARMOSAICO resulta de um modelo de financiamento que combina apoio do Portugal Inovação Social com a participação de investidores sociais públicos e privados. Um processo que, segundo Carlos Filipe, não foi simples.
«Aqui há sempre alguma retração quando não é financiamento público, mas felizmente conseguimos reunir um leque de investidores que acreditaram no projeto», referiu, mostrando confiança na capacidade de cumprir e até superar os objetivos definidos.
Questionado sobre o futuro para além dos três anos de financiamento, o responsável do CECHAP foi claro: «Os projetos que temos desenvolvido nunca pararam no tempo. Terminou o financiamento, procuramos sempre alternativas».
Ao longo da execução, o projeto prevê envolver dezenas de jovens, em articulação com municípios e instituições sociais dos concelhos de Vila Viçosa, Borba e Alandroal. «Queremos dar-lhes uma perspetiva de futuro, ajudá-los a encontrar um rumo. É assim que a sociedade se complementa», concluiu.


































