A Temporada de Concertos 2026 da Fundação da Casa de Bragança, em Vila Viçosa, vai apostar numa programação que articula música, investigação e contexto histórico, com enfoque na evocação dos 200 anos da morte de D. João VI, revelou a diretora do Museu-Biblioteca, Ana Saraiva.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, a responsável explicou que a edição deste ano «não [é] totalmente» dedicada ao monarca, mas integra vários concertos inspirados na sua vida e no período histórico em que viveu, estabelecendo ligações entre Portugal e o Brasil.

Temporada cruza música e contexto histórico
Segundo Ana Saraiva, a programação pretende refletir «a relação entre Portugal e o Brasil», incluindo repertórios associados à presença da corte portuguesa naquele território e à circulação cultural entre os dois países.
«Vamos ter concertos mais relacionados com o período de vida de Dom João VI, portanto início do século XIX, mas também contemporâneos», referiu, acrescentando que a intenção passa por «trazer também alguma música mais contemporânea relacionada com este trânsito cultural entre Portugal e o Brasil».
A diretora destacou ainda a inclusão de concertos ligados ao universo do choro, apontando exemplos como «Choros, Tangos e Sassetti», em setembro, e «Chorando do Império à República», em outubro, como momentos que traduzem essa ligação cultural.
Dez concertos entre março e dezembro
A temporada integra dez concertos, com início a 27 de março e encerramento em dezembro com o tradicional Concerto de Natal.
Ao longo do programa, a organização procura «introduzir algumas sonoridades mais diferentes», mantendo uma linha que combina repertório histórico com propostas distintas, segundo explicou Ana Saraiva.
Uma das novidades da edição de 2026 será a realização de um concerto no exterior. «Vamos ter um concerto no jardim do Palácio», indicou, referindo que esta opção acompanha a reabertura daquele espaço ao público e pretende diversificar os locais de fruição cultural.

Equilíbrio entre tradição e renovação
A responsável sublinhou que a temporada, já consolidada na programação cultural do Paço Ducal, procura equilibrar continuidade e renovação. «Procuramos não repetir todos os anos os mesmos nomes» e «conciliar músicos com uma carreira consolidada com outros que estão a precisar de espaço para se afirmarem», afirmou.
Este modelo, acrescentou, visa responder «às várias expetativas e aos vários interesses dos públicos», promovendo uma abordagem inclusiva.
Investigação e divulgação do património musical
A conferência-concerto de abertura reflete a ligação entre programação artística e investigação. O projeto resulta do trabalho de estudo desenvolvido por músicos sobre o arquivo musical do Paço Ducal.
Ana Saraiva explicou que existe «uma forte tradição do Paço Ducal na sua relação com a música» e que a programação procura «conciliar essa dimensão mais de estudo, de difusão do conhecimento (…) e da fruição».
A diretora destacou ainda o trabalho recente de catalogação do arquivo musical da instituição, sublinhando que a temporada também serve para «falar sobre música, por quem sabe, por quem estudou», aproximando o público do conhecimento produzido.

Capela com elevada procura e aposta na democratização cultural
A Capela do Paço Ducal, com cerca de 100 lugares sentados, tem registado níveis elevados de ocupação nas últimas edições.
«Na maior parte dos concertos (…) tivemos uma lotação, se não esgotada, nalguns casos bastante preenchida», referiu Ana Saraiva, destacando o interesse crescente do público.
A responsável enquadra esta adesão na estratégia de «democratização do acesso à cultura», procurando não excluir públicos e diversificar a oferta cultural em diferentes espaços da Fundação.
Os concertos mantêm entrada gratuita, sujeita à lotação dos espaços, decorrendo maioritariamente na Capela do Paço Ducal de Vila Viçosa.















