A Junta de Freguesia de Beringel detetou 150 atestados de residência falsos na localidade, conjuntamente com a Guarda Nacional Republicana (GNR).
Segundo Vítor Besugo, presidente da junta, entre 1 e 13 de setembro foram solicitados cerca de 180 pedidos, numa localidade que «passava cerca de 50 a 70 atestados, por ano».
«Juntando isso, eram sempre as mesmas duas testemunhas que atestavam que essas pessoas viviam em Bringel e, desses 180 pedidos, era praticamente para meia dúzia de casas», acrescentou o autarca.
Desta forma, «levantaram-se suspeitas» e foi realizada «uma ação de fiscalização no passado sábado», sendo que foram visitadas «as residências onde diziam viver e evidenciamos que, de facto, não viviam porque estavam lá outros imigrantes».
Como consequência, o Ministério Público foi informado e «suspendemos de imediato a emissão de atestados de residência até novos desenvolvimentos».
Segundo o presidente, a prestação de falsas declarações «pode incorrer num crime de até dois anos de prisão» e «falsos testemunhos, como é o caso das duas testemunhas, também podem incorrer num crime grave».
Vítor Besugo destacou ainda que, «devido à emigração, não estamos a viver bons tempos em Beringel» e que a criminalidade tem tido um «aumento».
«Ainda no passado sábado de madrugada houve tiros aqui a uma montra de um supermercado», afirmou.
Assim, as pessoas «vivem com sentimento de insegurança» e «têm medo de andar na rua».
«Os miúdos vão para escola e os pais já os vão levar, porque não os deixam ir sozinhos», acrescentou.
O presidente admitiu que pretende «fiscalização» e pensa que esse ato deverá também passar pelos empregadores.
«Os imigrantes veem com intenção de trabalhar em Portugal. Trabalham para um patrão um mês, mas depois precisa de mais e estes primeiros já não estão a trabalhar. Depois veem uns novos, em vez de empregarem estes que estão sem trabalho», esclareceu.
Depois, desempregados, «andam aqui nas ruas os dias inteiros a consumir bebidas alcoólicas».
«Eu falo com eles, porque quando os emigrantes chegam e vão pedir o atestado de residência, nós inscrevemo-los num curso de português de língua de acolhimento para que eles percebam o português. Nós damos folhetos de boas-vindas no dialeto deles», sublinhou Vítor Besugo.
«Tentamos de tudo para os acolher bem, mas por vezes perdemos esse controlo e não conseguimos que as coisas corram como nós efetivamente queremos», referiu ainda.
Beringel tem recebido vários grupos de emigrantes nos últimos tempos, principalmente provenientes da Índia e do Paquistão, segundo o presidente.
O autarca detalhou também que, atualmente, se trata de uma população de 1 200 habitantes mais cerca de 300 imigrantes.















