A Associação de Produtores de Bovinos, Ovinos e Caprinos da Região de Montemor-o-Novo (APORMOR) terminou 2025 com 380 associados e uma valorização dos preços dos animais, num ano que o presidente da direção, Joaquim Manuel Capoulas, classifica como determinante para a afirmação da pecuária extensiva.
“Nós costumamos dizer que somos uma associação de todas as raças do setor agropecuário”, afirmou o presidente, em declarações a’ODigital.pt, explicando que a APORMOR funciona como “o ponto de encontro de toda a pecuária e de todas as atividades ligadas à produção pecuária”.
APORMOR afirma-se como ponto de encontro da produção pecuária
Segundo Joaquim Manuel Capoulas, a associação presta apoio técnico aos produtores, nomeadamente nas candidaturas e no Pedido Único, e disponibiliza as suas instalações para concursos de raças, incluindo eventos de âmbito ibérico. “Fazemos tudo aquilo que é necessário para que todas as raças estejam aqui representadas”, referiu.
Apoio gratuito às raças e impacto do melhoramento genético
O presidente sublinhou que este apoio é assegurado sem custos para as associações envolvidas. “Apoiamos toda essa atividade do ponto de vista gratuito. Não levamos nada a essas entidades”, explicou, acrescentando que “a rentabilidade que temos tido nos leilões também advém muito do melhoramento genético que tem havido nas diversas raças”.
Associação passa para 380 associados
O crescimento do número de associados é, para Joaquim Manuel Capoulas, um dos principais indicadores do trabalho desenvolvido. “Em 2008 tínhamos 110 sócios, agora temos 380”, indicou, acrescentando que “todas as semanas um ou dois associados novos vêm ter connosco”.
Defesa do território e afirmação da pecuária extensiva
De acordo com o dirigente, este aumento resulta do reconhecimento do papel da associação na defesa do setor. “Não é só pelo concelho de Montemor-o-Novo, é pelas regiões limítrofes e por todo o país”, afirmou, defendendo que a APORMOR pretende afirmar-se como “uma entidade de referência na produção pecuária, no pastoreio extensivo e na ocupação do território”.
Valorização dos preços marca o ano de 2025
O ano de 2025 ficou ainda marcado pela valorização económica da atividade. “Foi um ano de grande afirmação devido à melhoria dos preços e à valorização dos animais”, destacou Joaquim Manuel Capoulas, sublinhando que esta evolução alterou a perceção de alguns produtores. “Houve pessoas que apostaram muito nas culturas permanentes, como o olival e a amêndoa, e que reconheceram que a pecuária extensiva também vai ocupar o seu espaço.”
“O setor não pode ser desprezado apenas como fator ambiental ou de defesa do território. Tem de ser visto também como sustentabilidade económica”, afirmou, acrescentando que os resultados de 2025 confirmam “a estratégia que temos seguido ao longo dos anos”.
APORMOR antecipa 2026 com otimismo cauteloso
Relativamente a 2026, o presidente da APORMOR admite um contexto marcado pela incerteza. “Estamos otimistas, mas também apreensivos com aquilo que possa acontecer em termos geoestratégicos a nível mundial”, disse, apontando riscos associados à evolução da economia europeia e dos mercados.
Ainda assim, Joaquim Manuel Capoulas considera que a estabilidade atual pode ser suficiente para garantir a continuidade da atividade. “Mesmo que os preços não subam muito mais, se se mantiverem como estão, já é sustentável”, afirmou, defendendo que essa estabilidade é essencial “para que as pessoas se fixem no território e para que a vida do campo volte a ter atratividade”.


















