A Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL) lançou o concurso público para a construção da Aceleradora Rui Nabeiro, um projeto que João Grilo, presidente da entidade, considera ser “um passo já decisivo” para colocar uma nova infraestrutura ao serviço do desenvolvimento económico da região.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente sublinhou que este é um objetivo “relativamente antigo”, iniciado ainda no quadro do Alentejo 2020 “com algumas limitações”, por “não estar assegurado o terreno onde iria ser contruído”, que é cedido pela Câmara Municipal de Évora.
Agora, o projeto avança de forma concreta com financiamento do programa Alentejo 2030 para “colocar esta infraestrutura ao serviço do desenvolvimento da região”, num investimento a rondar os 1,6 milhões de euros que será construído junto ao atual ÉvoraTech.
Infraestrutura distinta das incubadoras tradicionais
Segundo o presidente, o concurso pretende “criar uma infraestrutura de aceleração de negócios um pouco diferente daquelas que já existem no território”, afirmou, referindo que “não é propriamente aquele conceito de incubadora de empresas”
Desta forma, a Aceleradora Rui Nabeiro trata-se de um “um conceito de aceleração de negócios”, explicando que a lógica passa por apoiar projetos com potencial de crescimento rápido e estruturado.
O presidente da ADRAL realçou que esta aceleradora será “destinada a ideias já com alguma maturidade ou com algum estudo associado”, sobretudo “em áreas de Tecnologias Críticas, Energia e Mobilidade Inteligente”.
A ligação entre investigação e mercado
João Grilo sublinhou que o objetivo da infraestrutura passa por ser a “ponte entre o investigador ou o potencial investidor, que tem uma ideia já estruturada e que precisa de um impulso financeiro para a transformar num produto” e o mercado.
“A ideia é criar o ambiente favorável para estruturar esse produto e lançá-lo no mercado”, reforçou.
O presidente destacou que o modelo da aceleradora vai ser “diferente” do modelo de outras incubadoras”, uma vez que “pressupõe que a empresa esteja ali durante um curto tempo, só o necessário para, de facto, se estruturar, entrar no mercado e depois sair”, explicou.
Assim sendo, João Grilo vincou que o intuito é garantir que os projetos cresçam fora da estrutura: “Não queremos que se perpetuem no espaço”.
Parcerias internacionais e apoio ao financiamento
A Aceleradora Rui Nabeiro vai assentar numa rede de parcerias estratégicas, incluindo uma colaboração com investidores internacionais, nomeadamente com a NorBAN, uma “business angel” norueguesa, e a Universidade de Évora.
Estes parceiros “não só ajudam a financiar, como também têm uma metodologia de apoio ao financiamento e de procurar alcançar objetivos no desenvolvimento dos projetos”, até porque “muitas vezes” estas iniciativas surgem “no meio académico” e “depois precisam de ter um impulso para passar para o mercado”.
Estrutura modular e forte presença digital
A infraestrutura contará com “escritórios, um auditório e espaços comuns”, ou seja, “os equipamentos típicos de uma infraestrutura deste tipo”, afirmou.
João Grilo adiantou que não existe um número fixo de vagas, explicando que haverá “uma componente modular que permite que vá albergando mais negócios e mais ideias”.
Sublinhou também a importância da dimensão digital, pois “a maior parte das ideias que surgem hoje têm de ter uma componente de comunicação e de presença no espaço virtual muito, muito forte”, afirmou.
“O mercado não está só à nossa volta. Tem de se encarar os mercados como quase globais”, acrescentou.
Projeto regional com ambição global
João Grilo admitiu que a aceleradora poderá acolher projetos vindos de fora do Alentejo e até de outros países, uma vez que “a ideia é sempre a partir daqui do Alentejo, mas com uma perspetiva global”, afirmou.
“Temos recebido investidores e pessoas que estão a desenvolver os seus projetos de empresa de todo o mundo”, acrescentou.
Homenagem a Rui Nabeiro e ao empreendedorismo do Alentejo
O nome escolhido pretende homenagear o comendador Rui Nabeiro, fundador da Delta Cafés. João Grilo justificou a escolha pela personalidade devido à “imagem que ajudou a construir de um Alentejo empreendedor e dinâmico”.
“Um Alentejo que vai além das suas fronteiras físicas e que acredita que a partir de qualquer um dos nossos pontos se pode criar um negócio mundial”, complementou.
O presidente recordou que Rui Nabeiro demonstrou essa capacidade “a partir de Campo Maior e sem lá produzir café”, transformando a Delta “num negócio que chega hoje a quase todo o mundo”.
João Grilo realçou que associar o nome do comendador ao projeto é também uma “homenagem da própria ADRAL”, disse, lembrando que a Delta tem sido “um dos acionistas principais” da agência desde a fundação.
Recordou ainda que, em conversa com Rui Nabeiro, o comendador mostrou “entusiasmo” pela criação da Aceleradora. Referiu ainda que mostrou otimismo pela ideia: “Nunca levantava os problemas, nunca levantava as dificuldades, incentivava e dizia vamos fazer”.
Localização em Évora resulta de condições operacionais
Apesar da ligação de Rui Nabeiro a Campo Maior, a aceleradora será construída em Évora, devido a um “conjunto de circunstâncias”
“A ADRAL está sediada em Évora e por isso foi uma escolha natural pedir à Câmara que nos cedesse o terreno”, rematou o presidente.


















