A alteração ao Plano Diretor Municipal (PDM) de Alandroal foi publicada em Diário da República e por isso, aprovado para o município.
Em declarações a’ODigital, João Grilo, presidente da Câmara Municipal, afirmou que foi um processo «demorado e trabalhoso, mas que felizmente chegou a bom porto» e que «coloca o PDM de Alandroal na linha da frente da atualização de planos».
«Significa que quem decidir investir no Alandroal encontra os planos atualizados no sentido de agilizar os processos de licenciamento, além de uma equipa técnica vocacionada para ajudar a orientar e a dar rápidas respostas», sublinhou, acrescentando que «é um aspeto importante».
Trata-se de um documento que vai ajudar o município a «resolver muitas pretensões que existiam que que ou não tinham um enquadramento ou tinham um enquadramento difícil e que agora podem avançar», assim como a «clarificar também aspetos que eram omissos e que são importantes nos dias de hoje, como por exemplo a questão das energias fotovoltaicas, que na anterior geração de PDM’s ainda não eram alvo de legislação específica e ficam agora enquadradas».
Com o licenciamento de investimentos «mais fácil a partir de agora», o documento torna-se um «um instrumento ao serviço do desenvolvimento do concelho».
«Tem a vantagem e a particularidade de ser um documento que foi concertado com todas as entidades que têm responsabilidades no território, o que significa que o que está ali cumpre os requisitos que estas entidades entendem necessárias e, no fundo, permita ao município agilizar processos de investimento», disse ainda o presidente.
Investimentos privados
Desta forma, o autarca revelou que o concelho está a ser «procurado para investimentos na área das energias renováveis, quer de projetos fotovoltaicos, quer projetos de produção de hidrogénio verde».
Também «estamos a ser procurados também para desenvolvimento de projetos de natureza turística a vários níveis, desde hotéis de cinco estrelas até alojamento local com tipologia de hotel rural».
Há também «intenções na área do glamping, que é uma modalidade que ainda existe muito pouco na região, mas que também passa agora a ter enquadramento legal».
Para além disso, «continua a haver investimento na área agrícola, continua a haver investimento no setor vitivinícola» e há também «intenções ligadas ao enoturismo».
Vitivinicultura
Segundo o autarca, há «mais de 800 hectares de vinha no concelho», o que incentiva o contributo neste setor económico, porque «não há nenhuma razão histórica, nem geográfica para que não haja maior expressão de vinhos no concelho do Alandroal».
«Há registos de haver mais de 20 adegas só na sede do concelho. Também com certeza havia vinha. Agora já há produção, há quem queira avançar com o enoturismo, há quem queira fazer outro tipo de experiências. Temos tudo para continuar a crescer também nessa área», afirmou o autarca.
Confirmou que «há um projeto técnico de enoturismo que nos foi apresentado e acredito que vai ser seguir o seu caminho» e que está associado «a uma zona de produção».
Para além disso, o município estará também a «contribuir para o licenciamento de novas vinhas».
«Há novas vinhas em Juromenha, no Rosário, junto a Alandroal. Há um conjunto de novos projetos de vinha a serem implementados», acrescentou.
Turismo
Neste tópico, João Grilo referiu quatro projetos de cinco estrelas «num horizonte de dois a três anos», mas que «têm de avançar».
Já em funcionamento, está «uma unidade na Herdade das Parreiras, no Rosário».
Em construção, está outra unidade «junto a Alandroal, na Herdade do Magarreiro».
Já relativamente a previsões, «foi-nos apresentado outro projeto para uma outra herdade na zona do Rosário, onde também se prevê que seja uma unidade de cinco estrelas». Está ainda previsto que «se o projeto REVIVE avançar em Juromenha, também será uma unidade de cinco estrelas».
Energias renováveis
Neste tema, há a já conhecida «intenção» de uma Central Solar Fotovoltaica «com capacidade de produzir hidrogénio verde» e que «está a avançar».
Sendo a única destacada pelo presidente nas suas declarações, o autarca atirou que «é um investimento grande» e que está previsto «ser por fases», mas que na sua conclusão será «acima dos 500 milhões de euros, para mais de 900 hectares de painéis fotovoltaicos e produção de hidrogénio».
«Têm estado a fazer uma adaptação em função daquilo que os terrenos que permitem, mas acreditamos que a primeira fase deve estar quase a avançar», acrescentou.
Constatou também que o concelho, «apesar de ser bastante grande, tem zonas que estão protegidas, que têm montado, que são de apetência para a agricultura e estes projetos de painéis solares estão a ser encaminhados para onde não há apetência agrícola».
Desta forma, o presidente vincou que «há espaço no concelho para continuarmos a preservar a paisagem, a preservar a natureza», mas também há espaço para a componente «de produção de eletricidade e de hidrogénio que são extremamente importantes para nos ajudar neste processo de transição energética».
Investimentos do município
João Grilo confessou-nos que o objetivo para os próximos anos passa por «continuar a acompanhar a perspetiva que os investidores têm de que vale a pena investir no território do Alandroal pelo aspeto patrimonial, natural e paisagístico, contribuindo com projetos que enriquecem essas componentes ou que as valorizam».
Destacou os investimentos na Fortaleza de Juromenha, na área envolvente do centro histórico de Terena, no Castelo de Alandroal, na animação e ainda na «valorização da ligação ao Alqueva e o Guadiana».
O presidente atirou que «vamos avançar com o Centro Náutico de Juromenha, que tem já financiamento do Turismo de Portugal e que estamos na fase final de preparação do lançamento do concurso».
Para além disso, há ainda o investimento «no Centro Náutico das Águas Frias, no Rosário».
A ideia dos investimentos do município passa por «continuar a criar condições para quem invista no concelho do Alandroal tenha estas ótimas condições de valorização do património».
«Quem abre um hotel sabe que as pessoas não vão só ficar a dormir no seu hotel. Tem de ter o que ver, o que visitar, onde comer, onde passear. É nesse sentido que a nossa aposta é muito forte nestas componentes», referiu.
Disse ainda que «com o investimento nas extensões de saúde, no pavilhão gimnodesportivo e em comunicações, tudo isto é muito importante para o sentimento de que vale a pena investir e contribui para que as pessoas escolham viver connosco ou escolham passar férias connosco». A estratégia do executivo é «aumentar a atratividade do concelho», em primeiro lugar «para os que vivem cá», mas também «para que possamos atrair outros e para que quem nos visita tenha uma experiência completa e tenha vontade de voltar».















