O Alentejo é a região de Portugal continental com a taxa de risco de pobreza mais elevada do país, segundo o relatório “Portugal, Balanço Social 2025”, elaborado por investigadores da Nova School of Business and Economics (Nova SBE). O estudo indica que 17,9% da população alentejana vivia em risco de pobreza em 2025, acima da média nacional de 15,4%.
O relatório revela ainda que o Alentejo surge à frente dos Açores, que registam uma taxa de 17,3%, enquanto a Grande Lisboa apresenta o valor mais baixo do país, com 12,2%. Os investigadores apontam para a persistência de desigualdades regionais significativas, apesar da redução global da pobreza em Portugal nos últimos anos.
Pobreza desceu em Portugal, mas mantém expressão no Alentejo
De acordo com o estudo, a taxa nacional de risco de pobreza desceu de 17% em 2023 para 15,4% em 2025, mantendo a tendência de redução iniciada no ano anterior. Ainda assim, Portugal continua a ter cerca de 1,66 milhões de pessoas em situação de pobreza.
Os autores do relatório sublinham que o risco de pobreza continua mais elevado entre desempregados, famílias monoparentais, idosos e pessoas com baixos níveis de escolaridade. Entre os desempregados, a taxa de pobreza atinge 42,6%, enquanto nas famílias monoparentais sobe para 35,1%.
O documento refere também que os agregados residentes em áreas pouco povoadas apresentam maiores níveis de vulnerabilidade económica. Em 2024, a taxa de pobreza em zonas rurais era de 20,8%, acima das áreas densamente povoadas, onde se fixava nos 14,2%.
Desigualdades regionais continuam evidentes
A análise regional mostra que as diferenças entre territórios não se limitam ao rendimento. O relatório identifica desigualdades nas condições de habitação, acesso a cuidados de saúde e privação material e social.
Em Portugal, 10,2% da população encontrava-se em situação de privação material e social em 2025. Entre as pessoas em risco de pobreza, esta taxa sobe para 28,7%.
Os investigadores alertam ainda para dificuldades relacionadas com os encargos habitacionais e o acesso a condições térmicas adequadas nas habitações. Quase 40% dos agregados economicamente vulneráveis referiam não conseguir manter a casa confortavelmente fresca durante o verão.
Transferências sociais reduzem impacto da pobreza
O estudo conclui que o impacto das transferências sociais continua a ser determinante na redução da pobreza. Sem apoios sociais, a taxa nacional de pobreza subiria para 40,3%, segundo os dados apresentados.
Em 2025, existiam mais de 213 mil beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), sendo que cerca de um terço tinha menos de 18 anos.
Os investigadores defendem que os dados demonstram a existência de “fragilidades estruturais persistentes” e consideram necessária a implementação de políticas públicas ajustadas às especificidades de cada região.















