A riqueza líquida das famílias portuguesas aumentou cerca de 29% entre 2020 e 2024, segundo os dados do Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), divulgado esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Banco de Portugal.
De acordo com o relatório, a riqueza líquida média por família atingiu os 298,4 mil euros em 2024, enquanto a riqueza líquida mediana se fixou nos 151,8 mil euros. O aumento foi atribuído sobretudo à valorização dos ativos reais, em particular da habitação.
Habitação continua a ser o principal ativo
Os ativos reais representam 88,8% dos ativos totais das famílias portuguesas. A residência principal mantém-se como o ativo mais relevante, correspondendo a 55,6% dos ativos reais detidos pelas famílias. Em 2024, 70,8% das famílias eram proprietárias da habitação onde residem.
O relatório refere ainda que os grupos com menor riqueza líquida apresentam níveis mais reduzidos de propriedade da residência principal. Entre as famílias pertencentes ao conjunto dos 20% com menor riqueza, apenas 3,7% são proprietárias da casa onde vivem. Já entre as famílias cujo indivíduo de referência tem menos de 35 anos, apenas 38,3% são proprietárias da residência principal.
Diferenças acentuadas entre grupos sociais
A riqueza líquida mediana das famílias pertencentes ao grupo dos 20% com menor riqueza era de 1,7 mil euros, enquanto no grupo dos 10% mais ricos atingia 1,046 milhões de euros.
Os dados mostram também diferenças associadas ao rendimento, escolaridade e situação laboral. As famílias em que o indivíduo de referência trabalha por conta própria registam uma riqueza líquida mediana de 343,4 mil euros, enquanto nas famílias em que o indivíduo de referência está desempregado esse valor desce para 31,6 mil euros.
As famílias com ensino superior apresentam igualmente níveis de riqueza superiores, com uma mediana de 278,4 mil euros. Já entre os menores de 35 anos, a riqueza líquida mediana situa-se nos 36,2 mil euros.
Desigualdade recuou ligeiramente
O índice de Gini da riqueza líquida diminuiu de 65,7 em 2020 para 64,8 em 2024, sinalizando uma ligeira redução da desigualdade na distribuição da riqueza. A percentagem da riqueza total detida pelos 10% das famílias mais ricas também recuou, passando de 51,2% para 49,6%.
Ainda assim, o relatório aponta para um aumento do distanciamento entre os grupos extremos de riqueza, medido pelos rácios entre os percentis mais elevados e mais baixos.
Depósitos dominam riqueza financeira
Os depósitos continuam a representar a maior parte da riqueza financeira das famílias portuguesas. Segundo o ISFF, 74,6% dos ativos financeiros estavam aplicados em depósitos, incluindo depósitos a prazo, certificados de aforro e certificados do Tesouro.
O estudo refere ainda que 86% das famílias afirmam não estar dispostas a assumir riscos financeiros na aplicação das suas poupanças. Apenas 2% admitem aceitar riscos financeiros acima da média ou consideráveis.
Mais de 40% das famílias têm dívidas
Em 2024, 41,6% das famílias portuguesas tinham algum tipo de dívida. Entre as famílias endividadas, o valor mediano da dívida era de 35,3 mil euros.
As hipotecas da residência principal continuam a ser o tipo de dívida mais comum, abrangendo 24,8% das famílias.
O relatório conclui ainda que a percentagem de famílias com elevados níveis de endividamento diminuiu face ao passado, devido à redução da dívida, ao aumento dos rendimentos e à valorização dos ativos.
O Inquérito à Situação Financeira das Famílias foi realizado entre março e junho de 2024 e integra o projeto europeu Household Finance and Consumption Survey, coordenado pelo Banco Central Europeu. Em Portugal, o estudo é desenvolvido pelo Banco de Portugal e pelo INE.
















