O presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), Joaquim Diogo, defendeu esta quinta-feira, em Monforte, a criação de redes e sinergias entre os vários municípios da região para reforçar a atractividade turística e cultural do território, considerando que os museus devem assumir um papel central nessa estratégia.
As declarações foram feitas durante o colóquio «Os Museus Portugueses nos últimos 50 anos. Que Futuro?», realizado no espaço Monforte Sacro.
Ao Jornal ODigital.pt, Joaquim Diogo sublinhou que os municípios do Alto Alentejo «têm que deixar de estar fechados dentro daquilo que são as suas ofertas e torná-las cada vez mais amplas», defendendo uma lógica de cooperação intermunicipal na área cultural.
Segundo o responsável, o objectivo passa por criar uma oferta integrada capaz de apresentar o território como um destino cultural conjunto.
«Possamos, de facto, ter uma amostra de um território global e distinto como ele é», afirmou.
Cultura e turismo vistos como áreas estratégicas
Joaquim Diogo destacou o trabalho desenvolvido pela CIMAA na captação de programas ligados à valorização cultural, ao turismo e à coesão territorial, nomeadamente através das Parcerias para a Coesão Não Urbana.
De acordo com o presidente da Comunidade Intermunicipal, estes instrumentos têm permitido apoiar «a criação de redes e itinerários culturais intermunicipais», bem como a «promoção integrada do território» e a articulação entre «cultura, turismo e desenvolvimento local».
O responsável considerou ainda que a valorização da identidade dos concelhos do Alto Alentejo deve continuar a ser uma prioridade estratégica para a região.
Museus devem ser mais tecnológicos e participativos
Nas palavras proferidas, Joaquim Diogo abordou também os desafios actuais da museologia, defendendo uma evolução dos museus para modelos mais interactivos, tecnológicos e próximos das comunidades.
«O museu é, naturalmente, um lugar de conhecimento, de memória, de saberes. Mas também precisa mesmo de ser um lugar de descoberta, capaz de ir ao encontro de quem visita», afirmou.
O presidente da CIMAA considerou que os equipamentos museológicos devem adaptar-se às novas exigências do público e tirar partido das soluções tecnológicas disponíveis.
«Os museus no futuro devem ser mais abertos, mais participativos, próximos das comunidades, tecnologicamente inovadores, sustentáveis e articulados em rede», defendeu.
Joaquim Diogo apontou ainda exemplos de ferramentas que poderão contribuir para modernizar os espaços culturais, referindo a utilização de hologramas e soluções de inteligência artificial para criar experiências mais imersivas.
“O museu não pode ser só uma folha de Excel”
Outro dos pontos destacados pelo presidente da CIMAA foi a necessidade de olhar para os museus para além da sua sustentabilidade financeira imediata, sobretudo em territórios de baixa densidade populacional.
«O museu não pode ser só uma folha de Excel», afirmou Joaquim Diogo, defendendo que estes equipamentos devem ser entendidos como instrumentos de educação, preservação patrimonial e dinamização social.
O responsável considerou ainda que os museus devem chegar às escolas e a diferentes públicos, através de novas abordagens pedagógicas e culturais.
«O museu tem que ser um edifício que não tem porta, que não tem janelas e que chega rapidamente às escolas, que chega rapidamente a públicos diferentes», acrescentou.
O colóquio reuniu especialistas e responsáveis institucionais para debater a evolução dos museus portugueses nas últimas décadas e os desafios futuros da museologia, terminando com iniciativas culturais e visitas patrimoniais em Monforte.















