O Natal está já aí e com ele chega uma época de muitos resíduos, ora pelos presentes, ora pelos almoços e jantares.
Numa altura em que “normalmente a produção de resíduos dispara” com o aumento do “papel, das embalagens e dos plásticos”, Gilda Matos, técnica ambiental da GESAMB, em declarações a’ODigital.pt, referiu que é também nesta altura que “aumenta também a quantidade de resíduos orgânicos, com o desperdício alimentar”.
Ainda assim, esta é uma questão que não se começa a sentir “só em dezembro”, uma vez que, em novembro, “o comércio abastece os stocks” para a quadra natalícia.
Alerta para a “roupa descartável” como presente
Para além destas questões, a técnica ambiental alertou para outra problemática: “O fluxo novo da roupa descartável”.
“São preços muito baixos e peças sem qualidade, que muitas vezes são associadas a presentes desta época”, vincou, dizendo ainda que “por isso, compramos mais do que precisamos”.
“Se já o fazemos durante o ano, quando chega ao Natal essa questão é ainda maior”, numa tendência que se tem acentuado nos últimos anos, mas efetivamente, “no Natal, toma outras proporções”.
Isto porque, “há marcas que lançam peças novas todas as semanas” e “o apelo ao consumo é enorme” de peças que, por vezes, “são de uso único”: “Lava-se uma vez e começa a ficar impróprio para se voltar a utilizar”.
O custo escondido da ‘fast fashion’: Ambiente e condições de trabalho
Desta forma, Gilda Matos deixou o alerta que, por norma, “por trás de cada peça, há realmente uma história que raramente vemos”, pois “há um problema ambiental, mas também um problema muito grande em termos sociais”.
“Para chegarem até nós, com preços tão baratos, estamos a falar de condições de trabalho desumanas”, como “exploração do trabalho infantil com emissões de carbono gigantes, destruição de ecossistemas”.
Primeiro passo: Reduzir
A técnica ambiental sublinhou também a questão do “reduzir”, onde o foco deve ser a sensibilização para “preferimos a qualidade e a durabilidade e evitar as compras por impulso”.
Nesse sentido, realçou que é “importante” que o consumidor consiga “planear antecipadamente todas estas coisas” e questionar-se “se precisamos mesmo ou é só comprar porque sim”.
“Antes de comprar há uma série de perguntas que se deve fazer”, acrescentou.
Se não dá para reduzir, reutilizar é a melhor alternativa
Quando não se consegue reduzir, Gilda Matos destacou que “temos sempre a possibilidade também do reutilizar”.
“Fazer, por exemplo, presentes para dar à família e aos amigos feitos por nós próprios. Criar algo único, ou mesmo oferecer experiências, que muitas vezes vale mais que as coisas materiais”, aclarou, dizendo ainda que “é uma forma de olharmos para o Natal noutra perspetiva”.
Reciclar no Natal: “não é uma opção, é a única solução”
Quando já não há hipótese de não produzir resíduos, a técnica ambiental destacou que “aí sim, o reciclar é a única solução”.
“Costumo dizer que não é uma opção, mas sim a única solução que temos para conseguir aproveitar ainda as matérias-primas”, acrescentou.
Assim, deixou o desafio de “quando olharem para o papel, conseguirem ver as árvores, quando olharem para o plástico, conseguirem ver o petróleo”, o que, “separados corretamente, podem pode ter realmente um impacto grande”.
Ainda assim, sublinhou que, muitas vezes, as pessoas “pensam que é só um dia e não separam”, subestimando “o poder destas pequeninas ações”. “Todas juntas têm um impacto gigante no que diz respeito à prevenção e à reciclagem dos resíduos”, atirou ainda.
Ecopontos cheios no Natal: apelo à empatia e respeito por quem recolhe resíduos
Nesta época, Gilda Matos deixou ainda um apelo à empatia das populações e uma palavra de apreço para “as equipas que trabalham na recolha de resíduos”.
“É um trabalho essencial para a nossa saúde, para a nossa qualidade de vida e que muitas vezes é desvalorizado”, complementou a técnica ambiental.
Já direcionado às pessoas, que “por vezes criticam que os ecopontos estão cheios”, pediu “alguma compreensão”, porque “os nossos colegas também têm família e gostam de estar com a família nestes dias”.
“Todos os dias antes do nascer do sol, já muitos deles estão nas ruas, com frio, chuva e rotas muito exigentes”, vincou ainda.















