No Alentejo Central, a Gesamb – Gestão Ambiental e de Resíduos, empresa que gere e trata os resíduos na região, registou um aumento de 2,6%, em média, no que diz respeito à reciclagem, no último trimestre, face ao mesmo período de 2023.
Em dados confidenciados a’ODigital, a empresa registou um aumento de 0,2% na separação dos vidros, de 3,6% no papel/cartão e de 4,2% nas embalagens de plástico e metal.
Percentagens que perfazem cerca de 135 toneladas a mais do que o referido trimestre do ano passado, totalizando 5 113 toneladas.
Contudo, apesar deste aumento, a técnica ambiental da empresa, Gilda Matos, defende que «tem de haver mecanismos financeiros» para um ainda maior aumento destes números, em declarações ao nosso jornal.
«Só esses mecanismos é que mobilizam as pessoas», vincou a técnica ambiental, dizendo também que as pessoas «querem é receber e já se percebeu muito facilmente que só assim é que vamos lá».
Relembrou que em Évora, cidade sede da Gesamb e a mais populosa dos municípios abrangidos pela empresa, houve um «projeto piloto de máquinas nos hipermercados, onde eram colocadas garrafas e davam vales de desconto».
«Havia filas e estamos a falar de cêntimos e é isto que mobiliza as pessoas», destacou Gilda Matos, acrescentando que este «sistema de retorno de depósito» tem previsão de se cimentar em 2025, pois «já anda a ser adiado há muito tempo e deve ser expandido a todo o território».
Deu ainda o exemplo de que, quando a empresa faz questionários no sentido de perceber quem recicla, «o que eu oiço mais, quando se pergunta se separa o lixo, é ‘o que é que eu ganho com isso’».
«Se as pessoas estão neste registo, as entidades gestoras a nível nacional têm de se adaptar e chegar à conclusão que é este registo que as pessoas querem», sublinhou a técnica ambiental.
Desta forma, e com a pergunta de “como aumentamos a reciclagem?” em mente, Gilda Matos foi perentória em atirar que «neste momento, as pessoas já não estão disponíveis em reciclar em prol do ambiente, de um bem maior».
«Esqueçamos isso. As pessoas até estão recetivas às campanhas de sensibilização, mas são mais recetivas às carteiras delas», adicionou ainda.
Em relação à recolha dos resíduos, referiu que são os municípios que recolhem os lixos indiferenciados (que também sofreram um aumento de 3,81%) e que é a Gesamb que faz a recolha dos ecopontos.
Porém, até neste ponto Gilda Matos levanta questões, já que «o grande problema que sentimos é que a falta de valor que as pessoas dão à questão dos resíduos» e que, nesta temática, se diz muitas vezes «que é responsabilidade da Câmara ou da Gesamb».
«Nenhum dos municípios da área de abrangência da Gesamb consegue garantir uma cobertura de custos com o que cobra, ou seja, estamos sempre a subsidiar», destacou, vincando ainda que «as pessoas não estão a pagar pelo lixo que produzem e esse dinheiro podia estar a ser utilizado para outras coisas».
Revelou ainda que a Gesamb cobra 63€ por cada tonelada de lixo indiferenciado que é tratado nas suas instalações, sendo cada município a custear este montante. O lixo depois é depositado em aterro e os euros são depois pagos à Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
«Há aqui um conjunto de despesas fixas que existem e que não estão a ser repercutidas no poluidor. Qualquer pessoa não paga a totalidade do custo que representa tratar do seu lixo, ou seja, há aqui um défice», frisou.
«É importante que as pessoas percebam que há custos muito grandes associados ao tratamento dos seus resíduos», concluiu a técnica ambiental.
Estas declarações foram gravadas em visita à sede da Gesamb, numa reportagem que poderá ler e ver aqui.
Sabia que a empresa abrange cerca de 150 mil habitantes? E que estes, em média produzem cerca de 300 toneladas de lixo todos os dias? Ou que cada um destes habitantes produz cerca de 520kg de lixo por ano? Dados estes que são explicados na reportagem.















