O Banco Alimentar Contra a Fome regressa este fim de semana às campanhas presenciais, numa altura em que os pedidos de ajuda permanecem elevados em várias regiões do país. A recolha decorre nos dias 29 e 30 de novembro em cerca de duas mil lojas, com mais de 41 mil voluntários, e prolonga-se online e através de vales até 7 de dezembro.
O objetivo é reforçar a resposta às instituições que apoiam famílias com dificuldades, num ano em que, segundo Isabel Jonet, os pedidos continuam a não diminuir. «Infelizmente, em Portugal ainda há muitas pessoas que precisam de ajuda para comer», afirma a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares.
A responsável sublinha que a campanha depende essencialmente do envolvimento dos voluntários. «Vamos ter outra vez voluntários dos Bancos Alimentares em todo o país. São pessoas que se juntam e que querem dar o seu tempo num convite à partilha», refere. Estes voluntários estarão nas entradas dos supermercados, nos armazéns e nos transportes, assegurando todo o processo logístico.
Isabel Jonet identifica ainda uma mudança no perfil das pessoas que procuram apoio. «Não são só os idosos com baixas pensões. Temos hoje muitos trabalhadores pobres, pessoas que pagam muito pela renda da casa e que têm filhos», explica. A dirigente acrescenta que a situação coloca em risco o bem-estar das crianças: «Estas crianças não podem crescer sem esperança e sem alimento».
Questionada sobre a evolução das doações, a presidente do Banco Alimentar refere que a ajuda «tem permanecido regular e aumenta sempre um bocadinho», explicando que existem hoje vários canais de contribuição. «Temos a campanha na internet, em ‘Alimente esta ideia’, e os vales disponíveis até 7 de dezembro», afirma.
Apesar desse reforço, os pedidos de apoio mantêm-se estáveis e elevados, o que cria pressão sobre a organização. «As campanhas são o único momento em que recolhemos produtos não perecíveis, como azeite, arroz, massa, leite, grão e feijão», recorda. Sem outras fontes regulares deste tipo de bens, a instituição depende da mobilização dos portugueses para garantir a distribuição ao longo do ano.
A rede de 21 Bancos Alimentares distribuiu no ano passado mais de 27 mil toneladas de alimentos a cerca de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, através de 2.400 instituições. Os responsáveis esperam agora que a nova campanha permita manter a resposta às situações de maior vulnerabilidade social.
















