A Câmara Municipal de Redondo iniciou, no início de maio, o projeto “Sons da Vida, Ecos de Memória”, uma iniciativa que pretende preservar a memória oral, os sotaques, os sons tradicionais e as vivências da população do concelho.
O projeto está a ser desenvolvido através de recolhas em áudio e vídeo junto da comunidade local, com o objetivo de criar um registo da identidade cultural e oral de Redondo para futuras gerações.
Em declarações a ODigital.pt, o presidente da Câmara Municipal de Redondo, David Galego, explicou que a iniciativa surge da necessidade de preservar uma dimensão identitária que considera ainda pouco documentada.
“Creio que no nosso registo histórico nos falta ainda uma identidade, que são os sons genuínos da nossa terra, aqueles que nos identificam como ninguém”, afirmou.
Projeto pretende preservar memória oral e sons tradicionais de Redondo
Segundo o autarca, o projeto pretende recolher testemunhos de habitantes do concelho, sobretudo das gerações mais velhas, incluindo histórias de vida, expressões típicas, pregões, poesia popular e sons associados ao quotidiano rural.
“O que se pretende é que pessoas já com alguma idade possam ainda deixar testemunhos vivos daquilo que foi a sua infância pelas ruas do nosso concelho, as suas experiências, os pregões dos almocreves, os nossos poetas populares”, referiu.
David Galego explicou ainda que a iniciativa não está ligada, para já, a um espaço físico específico, funcionando sobretudo como um arquivo audiovisual e digital em construção.
“Queremos é que esse registo fique guardado em áudio, em vídeo, eventualmente em livro”, disse.
Câmara de Redondo vai divulgar conteúdos digitais e audiovisuais
O presidente da Câmara comparou o desenvolvimento do projeto a “uma enciclopédia em fascículos”, indicando que os conteúdos serão divulgados de forma gradual e progressiva, sem especificar prazos e investimento.
“Já estamos com a equipa técnica a fazer o levantamento e os registos e vamos depois começar, aos poucos, a levantar o véu e a fazer sair os primeiros resultados deste trabalho”, afirmou.
Entre os formatos previstos estão conteúdos digitais, podcasts e registos audiovisuais destinados a divulgar o património oral do concelho junto das novas gerações.
Preservação do sotaque de Redondo é uma das prioridades do projeto
Um dos aspetos destacados pelo autarca foi a preservação do sotaque local e da forma de falar característica da população de Redondo.
“É o momento de nós podermos fazer esse registo para que ele perdure na história”, afirmou.
David Galego considera que muitas dessas características culturais poderão desaparecer nas próximas décadas caso não sejam documentadas agora.
“Se não fizermos este registo agora, porventura daqui por 20 ou 30 anos já não temos essa mesma capacidade de encontrar o que é tão genuíno e tão nosso”, acrescentou.















