O Campo de Tiro da Força Aérea, atualmente localizado em Alcochete, no distrito de Setúbal, vai ser transferido para o concelho de Alter do Chão, no distrito de Portalegre, devido à construção do novo aeroporto Luís de Camões. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.
A decisão foi comunicada numa conferência de imprensa realizada no Ministério da Defesa Nacional, em Lisboa, onde o governante explicou que «o futuro Campo de Tiro da Força Aérea será localizado em Alter do Chão, distrito de Portalegre».
Desmilitarização de Alcochete ligada ao novo aeroporto
Segundo Nuno Melo, a escolha da nova localização constitui «um passo fundamental para que se proceda à desmilitarização dos terrenos» onde está previsto construir o novo aeroporto da região de Lisboa.
O ministro sublinhou que a conclusão da nova infraestrutura militar é considerada prioritária, uma vez que a retirada da componente militar de Alcochete depende da existência de um novo campo de tiro em funcionamento.
Apesar dessa prioridade, o governante referiu que o projeto terá de cumprir os procedimentos legais, incluindo estudos de impacto e outras avaliações administrativas exigidas por lei.
Impacto previsto no concelho de Alter do Chão
O novo Campo de Tiro deverá ocupar uma área aproximada de 7.500 hectares no concelho de Alter do Chão, embora o local exato ainda não tenha sido divulgado.
De acordo com o ministro da Defesa, a instalação da infraestrutura poderá ter impacto no território, uma vez que cerca de 200 militares e respetivas famílias deverão mudar-se para o concelho.
Nuno Melo afirmou que esta mudança poderá contribuir para a atividade económica local, referindo que os militares e as suas famílias poderão «dinamizar o comércio e os serviços, tendo filhos e outros elementos do agregado a estudar nas escolas, a trabalhar na região».
O governante acrescentou que estão previstos investimentos no concelho associados ao projeto, incluindo melhorias em vias de comunicação e habitação destinada aos militares e respetivas famílias.
Custos e eventuais expropriações ainda sem detalhe
Questionado sobre o custo da relocalização do Campo de Tiro, o ministro não avançou valores, indicando apenas que o financiamento será partilhado entre o Ministério da Defesa Nacional e o Ministério das Infraestruturas. Mais detalhes deverão ser apresentados numa audição parlamentar marcada para quinta-feira.
Quanto aos terrenos necessários para o projeto, Nuno Melo explicou que parte da área é pública. Nas restantes parcelas, a aquisição poderá ser feita por acordo com os proprietários, mas admitiu a possibilidade de expropriações caso não exista entendimento.
«E aconteceria onde fosse porque Portugal tem que ter um Campo de Tiro», afirmou.
Câmara de Alter do Chão destaca oportunidade para o concelho
Presente na conferência de imprensa, o presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, Francisco Miranda, considerou que a instalação do Campo de Tiro poderá contribuir para o desenvolvimento do concelho.
O autarca agradeceu ao ministro «a sua visão estratégica e política» e afirmou acreditar que o projeto poderá gerar dinâmica local.
«Estou certo e creio firmemente que uma implantação de uma infraestrutura desta natureza no meu concelho provocará outra dinâmica, levando crianças para a escola, ajudando o comércio local, desenvolvendo tudo o que são as nossas infraestruturas que temos no nosso concelho», declarou.
Novo aeroporto de Lisboa previsto para 2036 ou 2037
A transferência do Campo de Tiro surge no contexto do projeto do novo aeroporto de Lisboa, denominado aeroporto Luís de Camões, previsto para os terrenos atualmente utilizados pela infraestrutura militar em Alcochete.
A concessionária ANA Aeroportos prevê que o novo aeroporto entre em funcionamento em meados de 2037. O calendário poderá ser antecipado para o final de 2036, caso sejam introduzidas otimizações ao cronograma a negociar com o Governo.
Segundo estimativas da concessionária, a construção da infraestrutura aeroportuária deverá custar cerca de 8,5 mil milhões de euros, sendo sete mil milhões financiados através de emissão de dívida.















