O presidente da Câmara Municipal de Monforte, Miguel Rasquinho, revelou que parte do futuro Campo de Tiro, previsto para Alter do Chão, poderá abranger território do concelho, após reunião recente com o Ministério da Defesa.
Segundo o autarca, a possibilidade foi confirmada numa reunião com o Secretário de Estado da Defesa, na qual esteve também presente o ministro Nuno Melo, após semanas de informações informais e circulação de mapas. «Veio a confirmar-se aquilo que nós íamos ouvindo um pouco por todo o lado, de que uma parte significativa desse campo de tiro iria situar-se em cima do concelho de Monforte», afirmou.
Falta de estudos e ausência de informação detalhada
Miguel Rasquinho sublinhou que, apesar da confirmação, continuam por esclarecer vários aspetos essenciais do projeto. De acordo com o autarca, não foram apresentados estudos de impacto ambiental nem socioeconómico.
«Não há estudos, não há estudo de impacto ambiental, não há estudo de impacto socioeconómico», referiu, acrescentando que as explicações dadas pelo Governo se centraram apenas na eventual instalação de cerca de 150 pessoas em Alter do Chão, apontada como fator positivo para a região.
O presidente da autarquia considera, contudo, que esse impacto não se traduz em benefícios diretos para Monforte. «Para o concelho de Monforte isto não tem qualquer impacto», afirmou.
Preocupações com território, infraestruturas e atividade económica
Entre as principais preocupações apontadas estão a possível ocupação de áreas relevantes do concelho e a proximidade a infraestruturas críticas.
O autarca destacou a eventual coincidência do perímetro do campo com o traçado do gasoduto existente na região. «Fazer um campo de tiro em cima de um gasoduto não parece de todo aconselhável», disse.
Miguel Rasquinho alertou ainda para impactos potenciais na atividade turística e agrícola. Referiu que a presença de aeronaves poderá afetar unidades hoteleiras e espaços de lazer, numa região procurada pela tranquilidade, bem como explorações agrícolas em funcionamento.
«Não será agradável ouvir aviões, não direi diariamente, mas quase diariamente, a passar por cima destes locais de descanso», afirmou, apontando também «enormes preocupações» por parte de agricultores, empresários e da própria autarquia.
Contrapartidas ainda em aberto
Durante a reunião, segundo o presidente da Câmara, foi colocada pelo ministro da Defesa a possibilidade de futuras contrapartidas para o concelho. Ainda assim, o autarca considera prematuro avançar nesse sentido.
«Acho que não estamos nessa fase. Acima de tudo, temos que perceber onde é que fica o campo, em que zonas é que fica, que problemas é que vai trazer ao concelho de Monforte», afirmou.
Miguel Rasquinho admitiu que o projeto poderá trazer impactos negativos e defendeu a necessidade de clarificar primeiro a área abrangida e ouvir as entidades locais. «Vamos aguardar e ver qual a área definitiva que vai ser ocupada e depois ouvir proprietários, ouvir todas as entidades, as forças vivas do concelho», disse.
Autarquia mantém posição cautelosa
O autarca relatou ainda ter transmitido diretamente ao ministro as suas reservas quanto ao projeto. «Se isto fosse bom, não seria para nós», afirmou, referindo experiências anteriores que considera menos favoráveis para a região.
Para já, a Câmara Municipal de Monforte mantém uma posição de acompanhamento do processo, aguardando a definição concreta da área a afetar e a apresentação de estudos técnicos que permitam avaliar os impactos do novo Campo de Tiro no território.















