As vozes ecoaram novamente pelas ruas de Évora, cumprindo uma tradição que se renova todos os anos e continua a mobilizar a comunidade. O Canto das Janeiras voltou a assinalar o Dia de Reis, com a participação de 18 grupos corais e instrumentais, que percorreram o centro histórico e vários bairros da cidade.
A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal de Évora em parceria com juntas e uniões de freguesia, reuniu dezenas de cantadores e músicos, levando às ruas cantares tradicionais da quadra e votos de bom ano novo.
Uma tradição que comprova vitalidade cultural
Para o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, o número de grupos envolvidos é um sinal claro da vitalidade cultural do concelho. «Manter 18 grupos a cantar as Janeiras é também a prova de que a cultura está viva em Évora», afirmou, sublinhando que esta continuidade não acontece por acaso.
O autarca considera que estas manifestações populares refletem uma identidade construída ao longo de séculos. «Évora é um grande pólo cultural e vai ser reconhecida em 2027 como Capital Europeia da Cultura, mas isso não acontece por uma decisão de um momento ou de um júri. Acontece porque são muitos séculos a fazer história, a criar património e a desenvolver identidade», referiu.
Da herança histórica à responsabilidade da geração atual
Carlos Zorrinho destacou ainda o papel das gerações atuais na preservação e valorização desse legado. «É agora a geração de hoje que está a fazer jus à história desta grande cidade e deste grande concelho», disse, defendendo que a cultura se constrói de forma contínua, com base no passado, mas com olhar no futuro.
Neste contexto, as Janeiras assumem um significado que ultrapassa a simples repetição de um ritual anual, tornando-se uma afirmação coletiva da identidade eborense.
Tradição como ponto de partida para o futuro
Questionado sobre a centralidade das tradições na vida da cidade, o presidente da câmara foi claro: «Se alguma coisa Évora é, é uma cidade de tradições». No entanto, alertou para a necessidade de as encarar como um elemento dinâmico. «A tradição nunca nos pode amarrar ao passado. Deve ser o ponto de largada para sonharmos com um futuro melhor», afirmou.
Segundo Carlos Zorrinho, o simbolismo do início do ano reforça essa ideia de renovação. «Estamos a cantar as Janeiras no começo e no recomeço, para viver um tempo em que, baseados naquilo que fomos, somos o que somos e queremos ser melhores», acrescentou.
Comunidade reunida, independentemente do local
Após as atuações espalhadas pela cidade, os grupos e a população voltaram a reunir-se para um convívio final, marcado pelo lume de chão e pelo petisco tradicional. Para o autarca, mais importante do que o espaço físico é o espírito de encontro. «O local pode mudar, desde que os grupos continuem a ser 18 ou mais e que as pessoas se juntem numa noite gelada, mas com o coração quente. Pode ser onde for», concluiu.









































