O concerto “O Vagar é a cena”, apresentado este sábado à noite na Arena d’Évora, colocou o Vagar no centro da criação artística e da experiência cultural, reunindo músicos de diferentes universos, grupos corais alentejanos e testemunhos da sociedade civil, no âmbito da contagem decrescente para a Capital Europeia da Cultura Évora_27.
Criado propositadamente para assinalar os 365 dias que faltam para a abertura oficial de Évora_27, o espetáculo procurou traduzir em palco o conceito que estrutura toda a programação cultural do projeto.
O Vagar como conceito central do espetáculo
No final do concerto, o curador e programador John Romão explicou que a proposta partiu da necessidade de dar forma artística ao conceito do Vagar, convocando diferentes perspetivas. «Aquilo que tentámos fazer neste concerto foi que houvesse vários pontos de vista em torno do Vagar, o conceito que estrutura a nossa programação», afirmou.
Segundo o responsável, os artistas foram convidados a pensar este tema de forma pessoal e íntima, refletindo experiências distintas e ligadas aos territórios. «Convidei artistas diferentes, do Alentejo e de outras regiões, a pensarem este conceito de uma forma íntima, pessoal, de cada um», sublinhou.
Um espetáculo construído a partir da diversidade
A diversidade assumiu-se como uma marca estruturante do concerto, tanto ao nível dos géneros musicais como das origens dos intérpretes. «Este é um espetáculo de encontros, sobretudo um espetáculo em que temos artistas a escrever letras sobre o Vagar, do pop ao cante alentejano, ao fado, à folk», explicou John Romão.
Essa pluralidade, acrescentou, reflete a identidade da programação de Évora_27, que integra criação local, regional, nacional e internacional. «Era muito importante que essa diversidade estivesse presente nas letras, mas também nos géneros musicais», referiu.
Colaboração como princípio artístico
Em palco, nenhum artista atuou a solo. Todos os momentos foram construídos em colaboração, opção assumida como princípio artístico do espetáculo. «Interessava-me muito esta dimensão colaborativa. Não há nenhum artista que esteja sozinho em palco. Estão sempre em colaboração», explicou o curador.
O concerto reuniu Buba Espinho com João Direitinho e o Coral Infantil de Ourique; Duarte com os Cantares de Évora; Cláudia Pascoal com os Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho e os Cantares de Évora; Valas com Tozé Bexiga; Mafalda Veiga com o Grupo Coral da Vidigueira; Helena Caldeira com Surma; Vozes de Abril, interpretando canções de Luísa Sobral; e Laz Hay com a Filarmónica Liberalitas Julia.
O Vagar para além dos artistas
Para além da música, o espetáculo integrou testemunhos de pessoas da sociedade civil, reforçando a ideia de que o Vagar não se limita à criação artística. «Interessava muito que o Vagar não fosse apenas dos artistas, de quem escreve e compõe música, mas que pertencesse a todos», afirmou John Romão.
Segundo o programador, esta dimensão comunitária é essencial para o caminho que está a ser construído até 2027. «Este lugar de encontro e de comunidade é aquilo que também desejamos construir em torno de Évora_27», referiu.
Um ponto de partida para a intensificação da programação
“O Vagar é a cena” marcou também o início de uma fase de maior intensidade programática. John Romão explicou que, a partir de fevereiro, a programação artística passará a ter «uma regularidade e periodicidade muito maiores», com novos projetos, ações de mediação cultural e estreias nacionais previstas.
«Queremos que as pessoas sintam e façam seu este Vagar e esta dinâmica de programação», afirmou, sublinhando que os próximos meses serão de construção progressiva até à abertura oficial de Évora como Capital Europeia da Cultura, em fevereiro de 2027.


































































