A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Borba promoveu esta quinta-feira, 23 de abril de 2026, o I Seminário CPCJ de Borba, dedicado ao tema “A Voz do Silêncio – O impacto da violência doméstica no mundo interior das crianças”. A iniciativa decorreu no Auditório do Pavilhão Multiusos da Aldeia Social da Misericórdia de Borba, reunindo entidades locais e nacionais ligadas à proteção de menores.
Segundo a presidente da CPCJ de Borba, Patrícia Cabaço, o principal objetivo da iniciativa passou por reforçar a sensibilização da comunidade para os direitos das crianças. «O principal objectivo é percebermos e darmos a entender e mostrarmos à comunidade que todas as crianças têm direito a crescer seguras, protegidas e felizes», afirmou.
Seminário para aproximar a CPCJ da comunidade
A responsável destacou que a realização deste primeiro seminário surge também da necessidade de esclarecer o papel da instituição junto da população. «Sentimos […] mostrarmos e darmo-nos a conhecer. Que a CPCJ não é […] uma associação que retira crianças aos pais. É importante perceber qual é o nosso papel e qual é o nosso trabalho diariamente», referiu.
Patrícia Cabaço explicou que a missão da comissão passa, sobretudo, pela proteção das crianças em risco. «Proteger as crianças, principalmente. É o nosso trabalho. […] Assim que recebemos uma sinalização, irmos ao encontro da família […] e proteger a criança», sublinhou.
Silêncio e deteção precoce em foco
Um dos temas centrais do seminário foi o silêncio que envolve muitas situações de violência doméstica. A presidente da CPCJ alertou para a dificuldade em identificar estes casos sem sinais evidentes. «Quando não há sinalização […] ainda está escondido. […] Não devemos deixar escondido», afirmou, referindo a importância do papel das escolas e dos profissionais que acompanham as crianças diariamente.
Segundo indicou, professores e auxiliares são muitas vezes os primeiros a identificar indícios de sofrimento, dado o contacto regular com os menores. «As crianças permanecem em silêncio, mas à mínima coisa quem está com eles diariamente consegue perceber», acrescentou.
Importância da sinalização e resposta articulada
Apesar de existirem poucos processos registados no concelho, a responsável admite que o número pode não refletir a realidade. «Não temos muitos processos. Não sabemos se será bom, se será mau, porque pode existir o silêncio», referiu, defendendo a necessidade de incentivar a denúncia.
Nesse sentido, apelou à comunidade para a realização de sinalizações, incluindo de forma anónima. «É importante falar. Façam sinalizações […] nós conseguimos chegar sempre às crianças», afirmou.
O seminário incluiu vários painéis dedicados à prevenção, à intervenção judicial e às consequências emocionais da violência doméstica nas crianças, bem como uma mesa redonda com profissionais das áreas da saúde, proteção e intervenção terapêutica.
A sessão terminou com intervenções de responsáveis locais e regionais, num encontro que visou reforçar a articulação entre entidades e promover uma resposta mais eficaz na proteção de crianças e jovens.




















































