A relação entre cultura e tecnologia esteve em debate esta terça-feira, em Évora, numa sessão de partilha e discussão promovida pela Associação Évora_27 e pelo CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, iniciativa que procurou refletir sobre o papel destas duas áreas no desenvolvimento da cidade e da região no contexto da Capital Europeia da Cultura 2027.
O encontro decorreu no Palácio de D. Manuel e reuniu responsáveis institucionais, especialistas e público, num debate inserido na plataforma de conhecimento Sharing Knowledge.
Diálogo entre cultura, inovação e sociedade
A presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, sublinhou que a preparação da Capital Europeia da Cultura deve envolver diferentes setores da sociedade e não se limitar à dimensão artística.
«Os projetos artísticos não esgotam o programa de Évora 2027», afirmou, acrescentando que a iniciativa cultural deve também promover «uma relação com a sociedade civil, desde o setor empresarial ao setor social».
Segundo a responsável, a realização de sessões deste tipo permite abrir novas perspetivas para o programa cultural da cidade e estimular o debate entre áreas distintas. «Estas iniciativas ajudam-nos a imaginar e a enriquecer o programa da Capital Europeia da Cultura», referiu.
Maria do Céu Ramos defendeu ainda que a preparação de Évora 2027 deve ser construída através de um processo participado, envolvendo diferentes agentes culturais, institucionais e económicos.
Tecnologia e cultura como motores de criatividade
Para o CEO do CEiiA, José Rui Felizardo, a relação entre tecnologia e cultura é determinante para o desenvolvimento de projetos inovadores e para a ligação entre ciência, indústria e sociedade.
«Cultura e tecnologia são duas áreas que normalmente não são abordadas em conjunto», afirmou, defendendo que ambas são essenciais para o desenvolvimento tecnológico.
O responsável explicou que mesmo em setores altamente especializados existe uma dimensão cultural e criativa associada à inovação. «Quando desenvolvemos um produto tecnológico, existe sempre uma dimensão de criatividade e de pensamento crítico», disse.
José Rui Felizardo acrescentou que a interação entre tecnologia e sociedade se concretiza muitas vezes através da cultura e das artes, o que torna relevante promover espaços de diálogo entre estas áreas.
Estratégia de desenvolvimento para Évora
O presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, considerou que a ligação entre cultura e tecnologia faz parte da estratégia de desenvolvimento da cidade.
«O mais importante é cruzar tecnologia e cultura numa visão de desenvolvimento», afirmou.
Segundo o autarca, Évora procura afirmar-se como um espaço onde tradição e inovação coexistem, valorizando simultaneamente o património cultural e os novos projetos tecnológicos.
«Queremos afirmar Évora como uma capital europeia ao sul, onde a cultura se cruza com a tecnologia», referiu Carlos Zorrinho, apontando para a presença na cidade de setores ligados à indústria aeronáutica, aos dados, à segurança e ao turismo.
Para o presidente do município, a articulação entre estes setores e a dimensão cultural pode contribuir para projetar o futuro da cidade, permitindo que «uma cidade com história olhe para o futuro cruzando tecnologia e cultura».
Sessão integrou programa de debate público
A sessão contou ainda com a participação do maestro Martim Sousa Tavares e foi moderada por Jaime Quesado, da plataforma Sharing Knowledge.
A iniciativa integra um conjunto de encontros promovidos no âmbito da preparação de Évora para a Capital Europeia da Cultura em 2027, procurando estimular o debate público e envolver a comunidade na construção do projeto cultural da cidade.



































