O deputado António Carneiro, do partido Chega, eleito pelo círculo eleitoral de Beja, questionou o Governo sobre o financiamento, os prazos e o impacto das obras da eletrificação da linha ferroviária Casa Branca–Beja. A intervenção ocorreu durante a audição ao Secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, na Assembleia da República.
O parlamentar afirmou que a modernização da rede ferroviária deve assumir-se como prioridade no contexto da mobilidade sustentável e da transição energética, defendendo a concretização de projetos estruturantes com financiamento assegurado e calendários definidos.
Eletrificação da linha vista como projeto estruturante para o Alentejo
Durante a audição, António Carneiro referiu que a eletrificação da ligação ferroviária entre Casa Branca e Beja representa uma resposta às necessidades de mobilidade da região e pode contribuir para reforçar a ligação do Alentejo ao restante território nacional.
Segundo o deputado, a obra assume relevância para a coesão territorial e para a criação de alternativas ao transporte rodoviário, destacando também a importância da infraestrutura para o transporte de passageiros e mercadorias.
O parlamentar recordou que o investimento previsto para este projeto estava inicialmente contemplado no programa Alentejo 2030, tendo posteriormente registado cortes na dotação atribuída. De acordo com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), essa redução foi justificada pela falta de maturidade do projeto, o que obrigou o Governo a procurar outras fontes de financiamento.
Impacto das obras na mobilidade das populações
Na sua intervenção, António Carneiro referiu também os constrangimentos que as obras podem provocar na circulação ferroviária durante o período de execução.
O deputado considerou essencial que as entidades responsáveis assegurem soluções de transporte alternativo, nomeadamente serviços rodoviários de substituição, horários articulados e informação clara aos utilizadores do serviço ferroviário.
Possível extensão da eletrificação até Funcheira
Outro dos temas abordados na audição foi a eventual continuidade da eletrificação da linha até Funcheira, ligação que permitiria reforçar a conexão ferroviária entre o Alentejo e o Algarve.
António Carneiro defendeu que esta possibilidade deve ser analisada através de estudos técnicos e económicos, acompanhados de um enquadramento financeiro que possa envolver o Estado, fundos europeus e instrumentos de coesão territorial.
Deputado deixou quatro perguntas ao Governo
No final da intervenção, o deputado dirigiu quatro questões ao Secretário de Estado das Infraestruturas. Entre elas, solicitou esclarecimentos sobre a garantia do financiamento da eletrificação da linha Casa Branca–Beja e sobre as fontes de financiamento atualmente previstas.
O parlamentar pediu também informação sobre o calendário atualizado para a conclusão das obras, as medidas destinadas a evitar atrasos ou derrapagens financeiras e as soluções de transporte alternativo durante as interrupções da circulação ferroviária.
Outra das questões incidiu sobre a possível extensão da eletrificação até Funcheira, solicitando ao Governo esclarecimentos sobre a existência de estudos concluídos, compromisso formal e enquadramento financeiro para avançar com o projeto.















