O primeiro dia de janeiro ficou marcado, entre outras coisas, por mudanças na cobrança de portagens nas autoestradas portuguesas.
As antigas SCUT voltaram a não ter custos para o utilizador, em nome da interioridade. No entanto, devido à atualização anual das taxas, outras ficaram mais caras.
Neste último contexto estão inseridas as duas autoestradas “alentejanas”, ou seja, a A6 e a A2, que registaram um aumento de 35 e 60 cêntimos respetivamente.
Valores estes que são criticados por Rui Cristina, deputado do círculo eleitoral de Évora pelo Chega, e Luís Dias, deputado por Évora do PS, em declarações a’ODigital.
Rui Cristina acha «inadmissível» que o Alentejo «seja sujeito a um tratamento desigual na abolição de portagens», sublinhando os «desafios significativos relacionados a economia e a acessibilidade».

Um aumento que «embora não seja grande», segundo o deputado do Chega, «acaba por ser um desincentivo à mobilidade, mas também uma barreira ao desenvolvimento do nosso território».
Desta forma, destacou que o partido defende a «isenção total» das portagens «para os residentes do Alentejo», já que «são duas vias essenciais para as populações locais».
«Comprometemos a tomar as devidas diligências, em pouco tempo, para trazer este tema ao centro do debate nacional», vincou o deputado, dizendo ainda que «vamos lutar para que o Alentejo não seja, de forma alguma, prejudicado em comparação com outras regiões».
Mesmo considerando que «sempre vão existir assimetrias», Rui Cristina atirou que «é hora de equilibrar a balança e isso cabe-nos a nós políticos».
«Somos 50 deputados e precisamos de mais um partido para poder aprovar esta nossa iniciativa legislativa», adicionou.
O deputado do Chega frisou ainda que este aumento «pode levar os alentejanos a pensar que estão a pagar e os outros é que beneficiam», pois «noutros casos, vêem-se portagens a ser abolidas».
«Sabemos a história das SCUT e que a A6 e a A2 nunca o foram, mas está a haver aqui dois pesos e duas medidas», afirmou ainda.
Já Luís Dias concorda com o descontentamento dos residentes na região, mas acrescentou que também «pode gerar desconfiança para com o Parlamento».

Ainda assim, aceitou que a A6 e A2 «nunca foram SCUT», e por isso não entraram na proposta que agora entrou em vigor, mas também defendeu a «isenção para os residentes»: «São autoestradas que servem o interior».
No entanto disse que os socialistas também defenderam que «não houvesse atualização de preços, pelo menos».
«O Governo entendeu, com a concessionária, que deveria haver um aumento», complementou o deputado, dizendo ainda que «estamos a falar de dois dos maiores troços nacionais e que não servem só o Alentejo».
Assim, considera a maior cobrança «penalizadora», mas prometeu «não desistir» da abolição das portagens nas vias rápidas que percorrem a região, atirando que uma nova medida «tem de entrar no próximo Orçamento de Estado».
«Neste ano não entrou e o Alentejo não pode continuar a ser prejudicado e a sofrer ainda mais do desiderato da interioridade», referiu.
O socialista vincou também que o contrato celebrado entre o Governo e a concessionária (Brisa), poderia ter sido «revisto», com os governantes a «fazerem a sua parte», ou seja, «uma nova contratualização com o operador».
De qualquer forma, «o Estado vai ter de pagar» havendo a estimativa de cerca de 10 milhões de euros por ano de despesa nas duas autoestradas, segundo Luís Dias.
«Não é nada do outro mundo para os residentes e não estamos a ver que isto penaliza assim tanto o Orçamento do Estado», adicionou.
Desta forma, o deputado entende que há uma «discriminação negativa» para com a região, já que «os contribuintes do Alentejo pagam pelas restantes zonas do interior e continuam a pagar cá».
«É uma dupla-penalização e não faz sentido. Os contribuintes do Alentejo não são diferentes dos contribuintes do restante interior do país», referiu ainda.















