A proximidade de vários focos de doenças animais na Europa está a aumentar a preocupação entre os produtores do Sul do país, com a Associação de Agricultores do Sul (ACOS) a alertar para o risco de entrada em Portugal e para as consequências na produção pecuária.
O vice-presidente da ACOS, Miguel Madeira, em declarações ao jornal ODigital.pt, admitiu que o setor atravessa um “período complicado”, apontando para a presença de peste suína africana e dermatose nodular contagiosa em Espanha e um foco de febre aftosa na Grécia.
Doenças próximas aumentam risco para Portugal
Apesar de ainda não haver registo destas doenças em território nacional, o vice-presidente realçou que “se não houver cuidados acrescidos e redobrados, rapidamente se pode estender”.
Desta forma, vincou que a entrada destas doenças poderá representar “um descalabro para a nossa produção nacional”, sendo a febre aftosa um dos principais riscos, por ser “um vírus muito resistente, que se transmite através da roupa, do calçado ou de produtos alimentares”.
Impacto económico pode ser elevado
As consequências, segundo Miguel Madeira, poderão ser severas. “Estas doenças implicam abate total das populações, fechar o comércio e um conjunto de medidas sanitárias muito onerosas”, afirmou.
“Quando entram, têm um impacto brutal e importantíssimo”, acrescentou, vincando que estas doenças poderão afetar diferentes espécies.
A peste suína africana incide sobre suínos, enquanto a febre aftosa afeta vários animais, incluindo bovinos, ovinos e caprinos.
Exemplo recente reforça alerta no Sul
O vice-presidente recordou ainda os efeitos recentes da doença da língua azul, que entre 2024 e 2025, “dizimou muitos animais e causou fortes prejuízos aos produtores”, tendo apontado o Alentejo como uma das regiões mais atingidas.
A doença acabou por alastrar a outras zonas do país, reforçando a preocupação quanto à capacidade de disseminação deste tipo de vírus.
Informação e prevenção são determinantes
Face a este cenário, Miguel Madeira, reforçou que “a informação é importante”, pois “uma pessoa informada atua de forma diferente”.
Assim, alertou para o papel dos próprios produtores na contenção da propagação, tendo ainda defendido que o “cumprimento de medidas de biossegurança” é essencial para evitar a entrada destas doenças em Portugal.
Apesar da preocupação, sublinhou que nenhuma das doenças representa “risco para a saúde humana”, tendo impacto apenas na produção pecuária.















