A disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) continua ativa nas escolas da Arquidiocese de Évora, apesar da redução do número de alunos e da falta de professores.
A realidade da disciplina na região será um dos temas em destaque no Encontro de EMRC da Arquidiocese de Évora, que decorre a 14 de maio, em Coruche.
Segundo o responsável diocesano pela disciplina, a EMRC mantém atualmente cerca de seis mil alunos inscritos, desde o ensino básico ao secundário. Apesar da diminuição registada nos últimos anos, o padre Manuel José Marques considera que os números continuam a revelar relevância no contexto educativo da região.
“Seis mil alunos é muita gente”, afirma.
Falta de professores e mudanças sociais colocam desafios
A escassez de docentes e a perda de presença em algumas escolas são apontadas como os principais desafios da disciplina. A estes fatores junta-se a transformação das relações sociais entre os jovens, marcada pela utilização intensiva das tecnologias e das redes sociais.
“O telemóvel pode ser uma ‘arma’ que isola”, refere o padre Manuel José Marques, defendendo que a escola enfrenta hoje maiores dificuldades na promoção de relações interpessoais.
Neste contexto, a EMRC procura afirmar-se como um espaço de aprendizagem relacional e emocional. “Sem relação não é possível. É no contacto com o outro que se aprende a medir palavras, gestos e atitudes”, sublinha.
O responsável diocesano considera ainda que existe interesse dos jovens pela dimensão espiritual e pelos valores humanos, contrariando a ideia de afastamento generalizado da religião.
“Às vezes pensamos que não querem saber da fé, mas há jovens que levam isto muito a sério”, afirma.
Disciplina facultativa continua a atrair alunos
Sendo uma disciplina de frequência facultativa, a inscrição em EMRC depende da escolha dos alunos e das famílias, sobretudo nos níveis de ensino mais avançados.
Ainda assim, o responsável pela disciplina na arquidiocese defende que a sua importância ultrapassa a componente religiosa.
“É uma formação humana, cívica, para a vida”, refere.
Segundo o sacerdote, há encarregados de educação que optam pela disciplina mesmo sem ligação à prática religiosa.
“Há pais que não têm interesse na religião e, mesmo assim, deixam os filhos inscrever-se porque percebem que isto faz bem”, acrescenta.
Encontro de Coruche reúne cerca de três mil alunos
O Encontro de EMRC da Arquidiocese de Évora realiza-se este ano na vila de Coruche, naquela que será a 34.ª edição da iniciativa.
Antes da pandemia, o encontro chegou a reunir entre quatro mil e quatro mil e quinhentos participantes. Atualmente, deverá contar com cerca de três mil alunos, acompanhando a evolução demográfica e as alterações verificadas nos últimos anos.
Sob o tema “Moral Pax”, dedicado à paz, o encontro inclui atividades de expressão artística, momentos de reflexão e convívio entre alunos e professores de diferentes escolas da região.
“O encontro é uma festa, é o resultado do trabalho feito ao longo do ano”, resume o padre Manuel José Marques.
Futuro da disciplina continua em aberto
Apesar dos sinais de continuidade, a Arquidiocese de Évora reconhece que o futuro da disciplina enfrenta incertezas, sobretudo devido à dificuldade em garantir docentes e à redução da presença da EMRC em alguns estabelecimentos de ensino.
Ainda assim, o responsável diocesano considera que a disciplina continua a ter um papel relevante no sistema educativo.
“Vale a pena apostar nesta disciplina”, defende.
Num contexto marcado por mudanças sociais e educativas, a EMRC procura manter-se como espaço de formação humana, participação e convivência entre os jovens da região.















