Por entre orações, sorrisos contidos e alguns olhos marejados, 66 peregrinos partiram esta quinta-feira, 7 de maio, de Estremoz em direção ao Santuário de Fátima, dando início a uma caminhada de vários dias marcada pela fé, promessas e gestos de agradecimento.
Partida após momentos de preparação espiritual
A saída aconteceu ao final da manhã, depois de momentos de recolhimento que incluíram celebração religiosa e convívio entre os participantes, junto à Igreja Matriz de Estremoz.
Equipados com coletes refletores, mochilas e cajados adornados com fitas (muitas delas associadas a orações), os peregrinos iniciaram o percurso de forma organizada, acompanhados por elementos da Guarda Nacional Republicana e dos bombeiros, que asseguram apoio ao longo do trajeto.
Caminho faz-se em etapas até à chegada a Fátima
O grupo, composto por homens e mulheres, vai percorrer o trajeto em cinco etapas, com paragens previstas em Cano (Sousel), Galveias (Ponte de Sor), Bemposta (Abrantes), Tramagal (Abrantes) e Torres Novas, antes da chegada à Cova da Iria.
“Somos 66 peregrinos. Vamos fazer por cinco etapas”, explicou o guia Jorge Camões, um dos responsáveis pela organização.
A coordenação envolve contactos prévios com municípios e freguesias para garantir locais de descanso e pernoita, numa operação que mobiliza várias entidades ao longo do percurso.
Fé, promessas e agradecimento movem os participantes
Entre os peregrinos, coexistem diferentes motivações, mas a dimensão espiritual surge como denominador comum.
Paulo Pereira integra o grupo pela primeira vez e cumpre uma promessa feita no âmbito familiar.
“Estou a pagar uma promessa que tinha feito anteriormente pelas minhas filhas”, afirmou, acrescentando que a caminhada exige “muita fé, esperança e coragem”.
Já Lénia Gonçalves regressa pelo quarto ano consecutivo, numa participação que descreve como um gesto de agradecimento. “Vou com fé e vou com agradecimento a Nossa Senhora”, disse, sublinhando que a preparação é sobretudo interior.
Peregrinação vai além do esforço físico
Apesar das exigências físicas, os participantes destacam a importância da dimensão espiritual ao longo do percurso.
“A peregrinação é feita sempre em fé”, referiu Jorge Camões, acrescentando que cada participante transporta consigo intenções próprias, entre promessas e manifestações de gratidão.
O guia admite o desgaste associado aos quilómetros percorridos, mas sublinha que a chegada a Fátima representa um “momento de superação”.
Tradição repete-se no início de maio
A partida deste grupo insere-se no período em que se intensificam as peregrinações a pé para Fátima, com milhares de fiéis a percorrerem estradas de todo o país até às celebrações de 12 e 13 de maio.
Ao longo dos próximos dias, os peregrinos de Estremoz juntam-se a esse movimento, num percurso onde, entre o cansaço e a persistência, a fé assume papel central até à chegada ao Santuário.





































































































































