Uma mesa-redonda com o tema “O ciclo produtivo do mármore na Península Ibérica” decorreu no auditório da Biblioteca Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.
O evento contou com a presença de especialistas de Portugal e de Espanha e, após o debate, foi apresentado um documentário realizado pela televisão espanhola TVE, com comentários de Virgínia Garcia Entero, da Universidade de Madrid.
Seguiu-se depois a apresentação dos volumes III e IV da coleção “Mármore 2.000 Anos de História”, pela diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, com a presença dos autores, entre outros convidados.
“Estes volumes são o resultado da 3.ª fase do estudo dedicado ao Património e História da Indústria dos Mármores que tem resultados bastantes promissores”, revelou Carlos Filipe, do Centro de Estudos – CECHAP.
Segundo o investigador, “com este projeto estudar outras áreas, nomeadamente a história da arte, o Direito das Minas e Pedreiras, que foi estudado desde o período do Romano até os nossos dias por uma equipa de investigadores da Faculdade de Direito de Lisboa. Uma outra área foi História Económica desde o período moderno, portanto da segunda metade do século XVII aos nossos dias. Uma outra área é questão da história oral, ou seja, foram recolhidos testemunhos durante os últimos dez anos e que foram trabalhados para agora serem publicados.”
Já sobre o contributo que este trabalho de investigação pode dar na reflexão do sector dos mármores, o investigador afirma que “os projetos de investigação sobre a nossa história não são, de forma alguma, para ficar na gaveta, pois, eles têm uma consequência do ponto de vista cultural, do ponto de vista científico e do ponto de vista do que é o futuro desenvolvimento”, acrescentando que “é necessário compreender que todas estas dinâmicas ao longo dos séculos repetiram-se, é um setor que sofre muito o impacto da evolução económica.”
Carlos Filipe revelou que no âmbito dos estudos da história do setor dos mármores, o CECHAP “resolveu integrar o consórcio “Stone Cast”, que é um consórcio industrial, que ao concretizar-se, com vontade política, a região vai ser profundamente alterada neste paradigma da indústria dos mármores”.
Já o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sadio, que esteve presente nesta apresentação, disse-nos que “este estudo é bastante importante para sabermos toda a história do sector dos mármores e como foi a sua evolução até aos dias de hoje e nada melhor do que conhecer um pouco o passado, para refletir sobre o futuro deste sector económico”.
Já a diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, referiu que os volumes agora apresentados “são trabalhos muito importantes, pois contam com a participação de muitos especialistas e que envolvem um grande trabalho de sistematização de investigação em fontes primárias, de sistematização de informação, de publicação de documentação inédita em todas as vertentes da área e deste material que é o mármore e até sobre o anticlinal de Estremoz”.
Ana Paula Amendoeira destacou ainda “a componente de história oral muito relevante, portanto, é de facto uma obra de fundo muito estruturante para uma área de uma riqueza patrimonial e económica muito grande da nossa região.”
Fique de seguida com algumas imagens desta apresentação, numa reportagem de Hugo Calado:

































