No dia 25 de fevereiro de 2026, o Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC3), em Estremoz, acolheu a Conferência-Debate subordinada ao tema “Operações militares no 25 de Novembro de 75: De Estremoz a Lisboa”, integrada no programa oficial da Comissão para as Comemorações do 50.º Aniversário do 25 de Novembro de 1975.
Na sessão de abertura, o Presidente da Comissão das Comemorações, Tenente-General Alípio Tomé Pinto, enquadrou os acontecimentos no contexto da Revolução de 25 de Abril de 1974, sublinhando que o processo iniciado com a promessa de “democratizar, descolonizar e desenvolver” não eliminou as tensões políticas e militares que marcaram os meses seguintes.
PREC e instabilidade após o 25 de Abril de 1974
O oficial-general recordou os episódios de instabilidade que antecederam o 25 de Novembro, referindo conflitos entre forças partidárias com projetos distintos para o regime e situações de indisciplina no seio das Forças Armadas.
Sobre o momento decisivo de 1975, salientou que a ocupação de bases aéreas por paraquedistas e a desobediência ao Comandante Supremo das Forças Armadas levaram o Presidente da República a declarar o estado de sítio e a ordenar a intervenção das forças militares sob o seu comando.
“Situação complexa que se designou por PREC (Processo Revolucionário Em Curso). Corremos o risco de uma Guerra Civil”, afirmou, defendendo que a atuação das unidades empenhadas foi determinante para assegurar a legalidade democrática.
Papel do Regimento de Cavalaria de Estremoz e dos Comandos
Na intervenção, Tenente-General Alípio Tomé Pinto destacou o papel do Regimento de Cavalaria de Estremoz, evocando a “coragem e riscos corridos quando avançaram em direcção a Setúbal” , bem como a ação dos Comandos na cidade de Lisboa. Considerou que, sem o empenhamento dos Comandos e da Força Aérea, o desfecho poderia ter sido distinto.
Comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Novembro
O presidente da Comissão referiu ainda a Resolução do Conselho de Ministros n.º 132-A/2025, de 8 de setembro, que determina a evocação oficial do cinquentenário, considerando o 25 de Novembro um momento “determinante para a consolidação do regime democrático” e uma oportunidade para reconhecer, de forma plural, os que asseguraram a legalidade democrática e a paz civil.
A conferência foi moderada pelo Tenente-General Monteiro Pereira e contou com intervenções do Tenente-General Sousa Pinto e do Major-General Manuel Apolinário, que comandou uma companhia de Comandos na Calçada da Ajuda e integra a Comissão das Comemorações. A sessão incluiu ainda a projeção do filme “Recordando o 25NOV75”, com testemunhos de entidades que viveram os acontecimentos.
Mensagem às novas gerações
Dirigindo-se aos jovens presentes, Tenente-General Alípio Tomé Pinto citou uma mensagem do Papa Francisco sobre a necessidade de transmitir às novas gerações “um passado necessário para construir o futuro”, encerrando a intervenção com a afirmação de que a missão estava cumprida.
A iniciativa integrou o programa nacional das comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro de 1975, evocando o papel das forças militares nas operações desencadeadas entre Estremoz e Lisboa e o seu impacto na estabilização do regime constitucional.
De seguida, fique com as imagens do evento.





















































