Entre salas históricas, igrejas, palácios e auditórios, há um novo som a percorrer Évora. Chama-se “Évora Chamber Music Series” e nasceu da vontade de jovens músicos da Universidade de Évora em aproximar a música de câmara da comunidade e criar novas oportunidades para quem escolheu a música como profissão.
O projeto, que decorre até 28 de maio em vários espaços do centro histórico da cidade, junta 14 grupos e mais de 70 músicos, numa edição considerada “zero” pelos organizadores, mas que já deixa sinais de crescimento para os próximos anos.
Em entrevista ao podcast “Factos e Conversas”, do Jornal ODigital.pt, Tomás Rodrigues, estudante de saxofone e um dos organizadores do festival, explicou que o principal objetivo passa por “dar mais visibilidade cultural” aos jovens músicos e criar maior proximidade com o público.
“A música clássica não é só para elites”
Um dos desafios assumidos pela organização passa por quebrar a ideia de que a música clássica e a música de câmara são reservadas a públicos específicos.
«Queremos desmistificar esta coisa da música clássica ser para elites», afirmou Tomás Rodrigues durante a conversa.
Para isso, os concertos estão a acontecer em espaços emblemáticos da cidade, como a Biblioteca Pública de Évora, o Palácio Dom Manuel, a Rota dos Vinhos do Alentejo, a Fundação Inatel ou o Hotel Mar de Ar Aqueduto.
A escolha dos locais não foi feita ao acaso. Segundo os organizadores, existe a intenção de unir música e património, levando os concertos para espaços históricos ligados à identidade da cidade.
Festival nasceu em “tempo recorde”
O “Évora Chamber Music Series” começou a ser preparado no início de maio. A ideia surgiu da necessidade de criar oportunidades para músicos que terminam agora os estudos na Universidade de Évora e que, em muitos casos, deixam a cidade após concluírem a licenciatura.
Nuno Monteiro, também organizador do projeto, explicou que não queria esperar até ao final do ano para avançar com a iniciativa.
«Tínhamos de fazer a edição zero já», afirmou.
Apesar do curto espaço de tempo, os organizadores conseguiram reunir parceiros institucionais e culturais, além de uma programação com dez concertos e dezenas de intérpretes.
Concertos gratuitos e aposta no futuro
Todos os concertos têm entrada livre. Para os organizadores, essa decisão faz parte da estratégia de aproximação do público à música de câmara.
Além da vertente cultural, o festival procura também criar oportunidades profissionais para os músicos participantes.
«Este é um investimento que eles fazem para que a comunidade e os parceiros possam comprometer-se com eles amanhã», referiu Nuno Monteiro.
Os organizadores admitem já estar a pensar nas próximas edições, incluindo a possibilidade de expandir o festival para outras localidades do Alentejo e criar ligações internacionais.
Concerto de encerramento marcado para 28 de maio
O concerto de encerramento do “Évora Chamber Music Series” está marcado para o dia 28 de maio, às 21 horas, no Hotel Mar de Ar Aqueduto, com a participação da cantora lírica Carolina Duarte.
Antes disso, às 18 horas, decorre também um concerto no Auditório Christopher Bochmann, com vários ensembles participantes.
A entrevista completa com Tomás Rodrigues e Nuno Monteiro será publicada esta sexta-feira à tarde no podcast “Factos e Conversas”, do Jornal ODigital.pt.















