A peça «Embarcação do Inferno», de Gil Vicente, regressa ao Teatro Garcia de Resende, em Évora, em janeiro de 2026, com um conjunto de sessões destinadas a escolas e uma apresentação aberta ao público em geral.
Entre 13 e 23 de janeiro, de terça a sexta-feira, estão previstas sessões para a comunidade escolar, às 11h00 e às 15h00. A sessão para o público em geral realiza-se no dia 23 de janeiro, às 19h00.
Gil Vicente no centro do repertório
A obra de Gil Vicente ocupa um lugar central nos repertórios d’A Escola da Noite e do Cendrev, companhias responsáveis pela encenação, que partilham a opção de trabalhar o texto original, recorrendo a abordagens cénicas contemporâneas.
A montagem surgiu no ano em que se assinalaram os 500 anos da primeira apresentação do «Auto de Moralidade da Embarcação do Inferno», também conhecido como «Auto da Barca do Inferno». As duas companhias decidiram então revisitar aquele que é considerado o texto mais emblemático e mais estudado do teatro vicentino.
Um texto fundador do teatro português
As companhias assumem a intenção de celebrar com o público um momento fundador do teatro em Portugal, sublinhando a centralidade de Gil Vicente na literatura e na cultura portuguesas. Apesar da ausência de datas precisas sobre o seu nascimento e morte, é através da sua obra que a memória do autor continua a ser celebrada, com destaque para o «Auto da Barca do Inferno», considerado uma das obras maiores da Idade Média europeia.
No texto incluído no programa do espetáculo, o consultor científico do projeto, José Augusto Cardoso Bernardes, destaca que, «pela mão qualificada, segura e inventiva da Escola da Noite e do Centro Dramático de Évora», o público é convidado a refletir sobre temas universais como a morte e a vida, o bem e o mal, o poder e a posse. O académico sublinha ainda que esta reflexão pode ser feita «com os pés assentes no nosso tempo», aproximando sensibilidades de épocas distintas.
Um percurso nacional e internacional
Estreado em Évora, em 2016, «Embarcação do Inferno» tem percorrido o país ao longo dos últimos anos. O espetáculo representou Portugal no Festival Internacional de Teatro Clássico de Almagro, em Espanha, e contabiliza, até ao momento, 211 sessões e mais de 22.200 espectadores.
O regresso ao Teatro Garcia de Resende, em 2026, volta a colocar a obra de Gil Vicente no centro da programação cultural da cidade, com uma forte aposta na ligação ao público escolar e à comunidade em geral.















