A Universidade de Évora (UÉ) recebeu esta sexta-feira um seminário com o tema “Construir o desenvolvimento económico a partir do interior: A atração e a fixação de talento”.
A data teve ainda uma cerimónia de assinatura de protocolo com a Fundação António Pragrana, como António Pragrana, presidente e fundador.
Uma temática «difícil» pela falta de «condições», segundo Hermínia Vilar, Reitora da instituição de ensino: «É esse o nosso problema».
«Encarámos o interior como polo de alavancagem e desenvolvimento. Ou seja, não vendo apenas o que vem de fora para dentro, mas o que vem de dentro para fora», complementou a reitora, dizendo ainda que é esse o «desafio».
«Quando falamos de talento, falamos nos diversos níveis em que a nossa ação exerce. É esse o desafio que todas as instituições que estão sediadas no Alentejo têm cada vez mais», acrescentou.
A reitora da UÉ afirmou ainda que assim se resolveria o «problema demográfico». Contudo há que haver, segundo Hermínia Vilar, «articulação entre o mundo empresarial e as instituições de ensino superior»: «É essencial».
«Não devemos procurar apenas a transferência de conhecimento, mas acho que temos de colocar em ênfase essa ligação. Isto também não questiona as funções de investigação fundamentais das instituições, que é também a nossa função nas mais diversas áreas», referiu.
Hermínia Vilar destacou ainda a «ligação ao território» como importante na questão da fixação de talento.
«Se a nossa projeção é internacional, essa internacionalização tem também de ter em conta as características do território que nos integramos», concluiu.
Já António Pragrana foi emigrante e, no 25 de Abril, estava em Angola. Quando voltou, «não tinha emprego e como muitos fui procurar um mercado onde pudesse desenvolver a minha atividade».
Ao longo de 50 anos trabalhou em comércio exterior e há cerca de 30 anos criou a sua primeira empresa. Mais tarde, já com 75 anos lançou a fundação: «Olhei para o meu percurso e olhei para a diáspora portuguesa».
«Muitos dirão que somos só 10 milhões, mas na verdade somos cerca de 30 milhões. Ninguém sabe, mas, na verdade, muitos deles não conhecem Portugal. Têm família portuguesa, mas não conhecem o país», sublinhou o fundador da fundação.
Desta forma, decidiu «procurar desenvolver laços entre os filhos e netos da diáspora e Portugal», depois de pensar no que «poderíamos fazer para explorar esse mundo».
«Temos de mostrar o que é Portugal e temos de ter a capacidade de atrair e reter o talento que aqui desenvolvemos para nos ajudar a vender os nosso produtos e serviços», destacou.
Em relação às parceiras com instituições de ensino superior, a ideia passa por «levar esse conhecimento para os que estão a estudar a Portugal».
«Queremos ter gente preparada para vender o café, as peças de avião, ou a cortiça, mas também como podemos fixar, aumentar os salários», realçou.
António Pragrana questionou ainda o Ministro da Economia, presente no seminário: «Se o lugar é ótimo, a comida e ótima e o vinho é ótimo, porque é que não se fixam? Não há dinheiro e nem salário e é assim que vamos crescer?».

















































