O Alentejo é a zona do país mais afetada pela falta de literacia financeira, segundo dados divulgados pela Intrum, no âmbito do Dia Mundial da Educação, que se assinala a 24 de janeiro.
De acordo com o European Consumer Payment Report 2025 (ECPR 2025), apenas 10% dos consumidores em Portugal referem ter recebido uma boa educação financeira na escola, um valor abaixo da média europeia (20%). Segundo o estudo, esta ausência de aprendizagem durante a infância está associada a dificuldades económicas, sobre-endividamento e falta de capacidade de poupança na idade adulta.
Alentejo apresenta os indicadores mais negativos
A análise regional revela que no Alentejo apenas 26% dos inquiridos afirmam ter aprendido com os pais a gerir dinheiro e mais de metade (51%) diz ter crescido num ambiente marcado por stress financeiro. No mesmo relatório, a Intrum refere que o Alentejo surge como a região onde o impacto da falta de literacia financeira é mais evidente.
Escola e família com papel determinante na educação financeira
Em Portugal, apenas 51% dos consumidores diz ter recebido dos pais noções básicas de gestão do dinheiro e 29% refere ter sentido abertura para discutir finanças em casa. O estudo aponta ainda que 25% dos inquiridos recorda o dinheiro como uma fonte frequente de tensão familiar, um fator que, segundo a Intrum, influencia o modo como os adultos gerem atualmente o orçamento e planeiam o futuro.
Intrum defende educação financeira obrigatória desde cedo
Citado no comunicado, o diretor-geral da Intrum, Luís Salvaterra, defende que «o acesso à educação financeira deve ser universal, obrigatório e estruturado desde cedo», referindo que a falta de literacia financeira compromete a igualdade de oportunidades e prolonga situações de fragilidade económica ao longo da vida.
Índice de Gestão do Dinheiro divide consumidores em três perfis
O relatório introduz um Índice de Gestão do Dinheiro, que classifica os consumidores em três perfis: “Frágeis”, “Adaptados” e “Resilientes”. Entre os consumidores considerados “Frágeis” (26% do total), apenas 5% teve formação financeira na escola e 39% cresceu num ambiente de stress constante relacionado com dinheiro. Em contraste, entre os “Resilientes” (12%), 62% refere ter aprendido com os pais a gerir finanças e 19% diz ter tido educação financeira formal na escola.
Geração Z é a menos preparada financeiramente
O relatório indica ainda que a Geração Z é a menos preparada financeiramente: 46% aprendeu com os pais e apenas 13% teve contacto com educação financeira escolar. Segundo o estudo, é também a geração que mais sente o impacto do aumento do custo de vida no bem-estar financeiro e que enfrenta mais dificuldades em pagar contas dentro dos prazos por falta de dinheiro.
Estudo abrangeu 20 mil consumidores em 20 países europeus
O European Consumer Payment Report 2025 foi conduzido pela FT Longitude em agosto de 2025, com base num inquérito a 20 mil consumidores em 20 países europeus. Em Portugal, a amostra foi composta por mil consumidores.















