Mértola quer posicionar-se como território de referência na chamada “economia azul do interior”, através de uma estratégia centrada na valorização ambiental, científica e turística do rio Guadiana.
O objetivo do município passa por transformar o rio num eixo de desenvolvimento sustentável sem perder a identidade natural do território.
A visão foi defendida pelo presidente da Câmara Municipal de Mértola, Mário Tomé, em delcarações ao jornal ODigital.pt, que considera que o concelho reúne características únicas ligadas ao património natural, à paisagem e à relação histórica com o Guadiana.
“Mértola tem esta particularidade de ser ribeirinha, ou seja, o rio passa mesmo no meio de Mértola”, afirmou o autarca.
Segundo o presidente da Câmara, a estratégia do município assenta em três pilares principais: o rio, o património histórico-cultural e o património natural.
“Mértola definiu como pilar para a sua estratégia o rio, o património histórico-cultural e, mais recentemente, o património natural”, explicou.
Município quer preservar identidade natural do Guadiana
Apesar da aposta no turismo fluvial e na valorização económica do Guadiana, o município defende um modelo assente na preservação ambiental e paisagística do rio.
“Nós preferimos manter um Guadiana selvagem”, afirmou Mário Tomé, referindo-se ao modelo de navegabilidade pretendido para o concelho.
O autarca considera que essa é precisamente uma das principais marcas distintivas de Mértola.
“O que nos pode diferenciar é essa especificidade única”, acrescentou.
O município destaca também o facto de o Guadiana atravessar o Parque Natural do Vale do Guadiana e aponta o Pulo do Lobo como um dos locais com maior potencial de atração associado à estratégia turística do território.
Ciência assume papel estratégico no desenvolvimento do território
Outro dos eixos da estratégia passa pela investigação científica e pelo papel da Estação Biológica de Mértola, desenvolvida em parceria com instituições académicas nacionais e internacionais.
“A Estação Biológica de Mértola é um centro de investigação que começa a ser de referência e a ultrapassar as fronteiras de Mértola”, afirmou o presidente da Câmara.
Segundo Mário Tomé, o projeto permitiu desenvolver investigação ligada ao território, nomeadamente nas áreas da biodiversidade, caça e monitorização ambiental do Guadiana.
“É a ciência em prol da região e do sítio”, referiu.
O autarca destacou ainda a colaboração com a Universidade do Porto e com a Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.
Município acredita que o Guadiana pode ter maior impacto económico
Mário Tomé considera que o Guadiana continua subaproveitado enquanto recurso estratégico para o desenvolvimento local.
“Entendemos claramente que podemos fazer muito mais e que podemos tirar muito mais do rio”, afirmou.
A estratégia apresentada pelo município procura afirmar Mértola como um território-piloto ligado à valorização sustentável dos rios interiores, conjugando turismo de natureza, património ambiental, ciência e economia local.
















