Música, cante alentejano, fotografia e dança vão estar em destaque na 5.ª edição do festival Futurama, que vai decorrer, neste mês de maio, em três concelhos do distrito de Beja com o objetivo de “reinventar” a tradição.
Dinamizado no âmbito do projeto cultural sem fins lucrativos com o mesmo nome, o festival Futurama – Ecossistema Cultural e Artístico do Baixo Alentejo vai realizar-se este ano nos concelhos de Beja, Mértola e Alvito, “propondo um percurso que cruza linguagens, gerações e contextos”, para “abrir a cultura a todos e construir futuro a partir do presente”.
“É essa a nossa base de trabalho, ou seja, a partir do território e da comunidade que existe nele, fazer novas criações e sempre em co-criação com a comunidade”, explicou à agência Lusa a coordenadora artística do festival, Rita Fialho Valente.
De acordo com esta responsável, o festival aposta em criar “um caminho paralelo e reinventar a tradição” da região.
“Só assim é que os jovens também se vão rever nesse trabalho e na base que é a sua identidade”, disse, acrescentando: “Temos de olhar para o futuro e pensar que nada está cristalizado. Temos que manter [as tradições], mas também temos que criar para ter novas coisas e novos pensamentos”.
Por isso, continuou Rita Valente Fialho, “acreditamos que estes projetos servem muito para abrir os horizontes aos participantes, sejam eles novos ou seniores”.
A 5.ª edição do festival Futurama tem entradas gratuitas e arranca em Beja, nos dias 15 e 16 deste mês, com a inauguração da exposição de fotografia “Na pele do ecrã”, criada por David Infante em conjunto com alunos do Instituto Politécnico da cidade, e “Mesa com natureza, a natureza posta”, que resulta de uma parceria do artista Horácio Frutuoso com utentes da Cercibeja.
O programa do festival na capital de distrital incluirá ainda um concerto de t.204, projeto de João Spencer, o espetáculo de teatro “Popular”, de Sara Inês Gigante, e a instalação artística “Face ID”, que a artista Carincur, natura do concelho, criou juntamente com alunos da Escola Secundária Diogo de Gouveia.
No dia 22, o festival chegará a Mértola, onde serão apresentadas a instalação “Frutificação”, criada por Ana Baleia numa residência artística com utentes da Universidade Sénior, e a performance “Guardar o Lugar”, de Mariana Tengner Barros e que conta com a participação de praticantes de ginástica acrobática e de alunos da escola de música da Escola Profissional ALSUD.
O festival termina, a 30 de maio, em Alvito, com um momento de reflexão no âmbito dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa e a apresentação da instalação artística “Alvito/Altivo”, de Fillippo Fiumani em co-criação com os alunos da Escola Profissional local.
Durante os três momentos do Futurama será também apresentada uma nova edição do projeto Cantexto, em que grupos de cante alentejano interpretam novas “modas” escritas por autores contemporâneos.
Este ano, as letras estão a cargo dos escritores Bruno Vieira Amaral, Cristina Taquelim, Hugo van der Ding, Nástio Mosquito, Patrícia Reis e Yara Nakahanda Monteiro, tendo sido musicados por Ana Santos, Celina da Piedade, Clara Palma, Pedro Mestre e Paulo Ribeiro.
As novas “modas” serão interpretadas em palco pelos grupos corais de Baleizão, de Cante Alentejano de Alvito, Feminino Alma Nova de Ferreira do Alentejo, Raízes do Cante da Cuba e de Cantares Alentejanos da GNR, assim como o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento.
O Festival Futurama – Ecossistema Cultural e Artístico do Baixo Alentejo é financiado pela Direção-Geral das Artes e pela Fundação Millennium bcp, assim como pelas câmaras de Beja e de Mértola.
O evento tem o apoio institucional do Plano Nacional das Artes e da Comissão Nacional da UNESCO e o alto patrocínio da Presidência da República.















