A Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz (FIAPE) deve ser vista não apenas como um espaço de promoção económica, mas também como um instrumento para pensar o futuro da agricultura e orientar políticas públicas, defendeu o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro.
À margem da inauguração, o responsável sublinhou a importância destes eventos para o território, defendendo que devem integrar uma dimensão estratégica.
“É absolutamente necessário que este tipo de eventos tenha uma componente de pensamento, de perspetiva em relação àquilo que um setor tão importante como a agricultura vai ter nos próximos tempos”, afirmou.
Certames como espaço de reflexão do setor
Ricardo Pinheiro considerou que iniciativas como a FIAPE permitem identificar desafios e oportunidades no setor primário.
“Aproveitar este tipo de certames para percebermos eventualmente as principais falhas dentro daquilo que é o setor primário” é, segundo o responsável, essencial para apoiar a evolução da agricultura no Alentejo.
O presidente da CCDR defendeu ainda a necessidade de reforçar a ligação entre estes eventos e a definição de políticas públicas, nomeadamente ao nível da aplicação de fundos comunitários.
Inovação e investigação com impacto económico
Na sua intervenção, Ricardo Pinheiro destacou o papel da investigação e desenvolvimento no crescimento económico do setor agrícola.
“Cada euro aplicado à investigação e desenvolvimento gera mais de 3 euros de retorno na economia real”, afirmou.
O responsável apontou áreas como a inovação nos sistemas de fertirrigação e a valorização das culturas de sequeiro como prioridades para o futuro.
Setor primário com peso na economia regional
Durante o discurso, Ricardo Pinheiro destacou o peso do setor primário na economia do Alentejo, referindo que representa cerca de 15 mil milhões de euros por ano.
O responsável defendeu que as autarquias devem assumir uma visão estratégica sobre o território, indo além das funções administrativas.
Fundos comunitários e execução
A CCDR Alentejo está também focada na programação e execução de fundos comunitários, com o objetivo de garantir maior eficácia.
“Garantir que não se perde 0,01 euro de fundos comunitários no Alentejo” foi apontado como um dos compromissos da entidade.
Ricardo Pinheiro sublinhou ainda a necessidade de maior agilidade nos processos, de forma a responder às exigências da economia e dos investidores.
FIAPE como espaço de ligação entre setores
O presidente da CCDR considerou que a FIAPE é um exemplo da articulação entre o setor agrícola, o poder público e os agentes económicos.
“A forma como […] a agricultura e o poder público se relacionam numa relação estreita só ajuda a programar melhor a forma como as políticas públicas são mais ágeis e chegam às pessoas”, afirmou.
A edição deste ano da FIAPE decorre em Estremoz, reunindo expositores, produtores e entidades, num certame dedicado à agropecuária, artesanato e promoção económica.















