A antiga ministra da cultura e atual membro do Conselho de Desenvolvimento da Pangea, Graça Fonseca, destacou a importância ética e simbólica do santuário de elefantes que será instalado nos concelhos de Alandroal e Vila Viçosa. O projeto, considerado o primeiro do género na Europa, representa uma resposta inédita para elefantes que viveram em circos e jardins zoológicos.
Segundo Graça Fonseca, “até hoje não existia uma solução na Europa para estes animais. Existia em África, na Ásia e no continente americano, mas não aqui”. O novo santuário vem colmatar essa lacuna e “marca o início de uma resposta que faltava no continente europeu”.
A escolha do território alentejano resultou de uma avaliação extensa. “Foram estudados centenas de locais na Europa, e a equipa técnica concluiu que Vila Viçosa e Alandroal reuniam as melhores condições”, explicou. O terreno, com relevo variado, presença de água e zonas protegidas, “permite que os elefantes vivam de forma tranquila e segura”.
Graça Fonseca sublinhou também o caráter pioneiro do investimento. “Este é um investimento integralmente estrangeiro, que não se destina ao turismo, mas à conservação”, afirmou, lembrando que “vem para preservar o território e não para o ocupar”. Para a responsável, o projeto “é histórico” porque cria, pela primeira vez, “um local onde elefantes que viveram toda a vida em cativeiro podem viver o resto da sua vida em segurança e paz”.
A ex-ministra realçou ainda que o santuário é um exemplo de cooperação e não de confronto. “Este projeto parte do diálogo entre circos, zoológicos e investidores. Não se trata de apontar culpas, mas de encontrar soluções para um problema real”, referiu.
Para Graça Fonseca, o santuário tem uma dimensão ética e social que transcende a conservação animal. “A forma como uma sociedade se relaciona com os animais diz tudo sobre ela. Este projeto mostra que é possível construir uma história diferente, baseada na decência, no respeito e na humanidade”, afirmou.
A responsável acredita que o santuário vai posicionar Portugal como referência mundial na conservação e bem-estar animal. “É uma mensagem muito forte: Portugal é capaz de liderar uma nova forma de olhar para os animais e para o ambiente”, concluiu.















