O Grupo de Amigos de Vila Viçosa voltou a marcar presença nas comemorações do Dia de Florbela Espanca, que se realizaram esta segunda-feira, 8 de dezembro de 2025. Noémia Serrano, uma das figuras mais ativas na preservação do legado da poetisa, destacou a importância de o município avançar com a abertura da Casa-Museu Florbela Espanca, considerada essencial para garantir a salvaguarda do espólio calipolense e para acompanhar o crescente interesse nacional e internacional pela obra da autora.
À margem das cerimónias, Noémia Serrano sublinhou que este dia «continua a ser muito importante» para o Grupo de Amigos e para todos os que estudam Florbela. Referiu ainda o papel da autarquia no apoio às iniciativas anuais. «Agradecemos muito ao município o facto de nos ajudar nas comemorações e de estar sempre presente», afirmou.
A abertura da Casa-Museu, prevista para o próximo ano, foi apontada como prioridade. «Esperemos que para o ano consigamos ter a Casa-Museu Florbela Espanca, onde o nosso espólio vai passar de vez em quando, não sei se digitalizado ou devidamente preservado, porque é realmente uma coisa muito valiosa, sobretudo o Diário de Florbela», explicou. Para o Grupo de Amigos, este passo é fundamental para reunir, preservar e disponibilizar documentos que têm sido procurados por investigadores portugueses e estrangeiros.
Noémia Serrano revelou que o interesse académico por Florbela continua a crescer além-fronteiras. «O grupo continua a ajudar investigadores estrangeiros que vêm. A Catherine Luciano está a espalhar Florbela na Alemanha e na Áustria», referiu. Destacou ainda o trabalho desenvolvido no Reino Unido. «A professora doutora da Universidade de Oxford promoveu agora um congresso onde também esteve o Dr. Fábio Mário Silva para explorar a obra de Florbela», acrescentou.
A responsável expressou também o desejo de ver o estudo da poetisa reforçado nas instituições académicas portuguesas. «O meu desejo é que consigamos criar nas universidades portuguesas, na área das humanidades e das literaturas, umas cadeiras sobre Florbela», afirmou. Acredita que o país deve acompanhar o reconhecimento internacional. «Espero que ela entre pela porta grande das universidades e que nós consigamos cá dentro fazer o que está a ser feito lá fora», defendeu.
O interesse do público tem igualmente aumentado, segundo Noémia Serrano, que acompanha de perto esse movimento. «Noto esse interesse crescente pelas pessoas que me chegam ao posto de turismo. Muitas vezes sou requisitada para ir mostrar o espólio», disse. A responsável aponta também sinais do mercado editorial. «A Bertrand tem-nos dado feedback de que, sobretudo, as cartas de Florbela e a ‘Charneca em Flor’ estão a ser novamente muito solicitadas», referiu.
Para Noémia Serrano, a valorização plena da obra de Florbela depende da articulação entre entidades e da capacidade de unir esforços. «As várias entidades têm de unir-se em volta de uma coisa que é nossa, de uma pessoa que é nossa e que nós amamos tanto», afirmou. Sublinhou ainda a necessidade de ultrapassar obstáculos: «Temos de realmente trabalhar em conjunto».
As palavras de Noémia Serrano reforçam a expectativa de que 2026 possa marcar um novo capítulo na preservação e divulgação do legado de Florbela Espanca, com a Casa-Museu como ponto de partida para um programa mais consistente de estudo, investigação e celebração da poetisa calipolense.















