Sousel voltou a cumprir, na Segunda-feira de Páscoa, uma tradição enraizada que leva centenas de pessoas à Serra de São Miguel. O Jornal ODigital.pt acompanhou a missa campal, a procissão em honra de Nossa Senhora do Carmo e o convívio que marca um dos momentos mais significativos do calendário local.
A jornada, que coincide com o feriado municipal, reúne habitantes e visitantes num espaço onde se cruzam manifestações religiosas, práticas culturais e convívio familiar.
Uma tradição que atravessa gerações
Logo pela manhã, a Serra de São Miguel começou a receber grupos que se deslocaram para participar nas celebrações e ocupar os espaços onde, ao longo do dia, se realizam piqueniques e encontros familiares.
O presidente da Câmara Municipal de Sousel, Manuel Valério, sublinhou a antiguidade desta prática, referindo tratar-se de «uma tradição já muito antiga aqui no concelho de Sousel», associada à Segunda-feira de Páscoa, que também assinala o feriado municipal .
A presença de público foi assinalada como significativa. «Não me recordo de há muitos anos ver tanta gente aqui como este ano», afirmou o autarca, considerando que «é sinal que a tradição está viva e que as memórias se mantêm» .
Celebração religiosa marca o dia
O programa incluiu uma missa campal na serra, seguida de procissão em honra de Nossa Senhora do Carmo, momento central da componente religiosa das festividades.
As celebrações tiveram continuidade de iniciativas iniciadas nos dias anteriores, com destaque para a deslocação da imagem de Nossa Senhora do Carmo à capela e a arruada com a Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Sousel.
«Tivemos agora esta missa campal, seguida desta procissão», referiu Manuel Valério, enquadrando estes momentos no conjunto das festividades que se prolongam por vários dias .
O borrego como elemento central da tradição
Paralelamente às celebrações religiosas, a componente gastronómica assume um papel relevante, com destaque para o consumo de borrego, associado à época pascal e à identidade local.
Na Serra de São Miguel, a tradição mantém-se visível nas mesas improvisadas ao ar livre. «É também uma tradição vir para a serra comer o borrego», afirmou o presidente da autarquia, lembrando que Sousel se afirma como «capital do borrego» .
O autarca destacou ainda a diversidade de confeção do produto, desde costeletas a ensopado ou assado, referindo que «em cada mesa estará um prato de borrego para quem queira degustar» .
A iniciativa decorre em simultâneo com a Quinzena Gastronómica do Borrego, que envolve restauração local e reforça a ligação entre tradição e promoção económica do território.
Convívio familiar e ocupação da serra
Para além da dimensão religiosa e gastronómica, a Serra de São Miguel assume-se como espaço de convívio. Muitas famílias deslocam-se na véspera para garantir lugar, instalando tendas ou estruturas provisórias.
«Há muitas famílias que ainda mantêm também uma tradição que é vir precisamente no dia anterior a montar aqui a sua barraquinha», explicou Manuel Valério, acrescentando que outros optam por chegar cedo no próprio dia para ocupar os espaços disponíveis .
Ao longo do dia, multiplicam-se os grupos reunidos em torno de refeições partilhadas, num ambiente que combina permanência e renovação da tradição.
Identidade local concentrada na serra
Para o presidente da Câmara, a Serra de São Miguel representa um elemento central da identidade do concelho. «Sem dúvida alguma é o nosso ex-libris», afirmou, apontando também para o potencial do espaço, que considera poder vir a ser mais desenvolvido no futuro .
A afluência registada nesta edição reforça a continuidade de uma prática que, ano após ano, mantém o seu lugar no calendário e na memória coletiva da população de Sousel.
Entre celebração religiosa, gastronomia e convívio, a Segunda-feira de Páscoa na Serra de São Miguel continua a afirmar-se como um dos momentos de maior mobilização no concelho.






























































































