Manuel Norte Santo é o novo presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL) para o triénio 2025-2027, sucedendo a Gonçalo Morais Tristão.
A nova liderança pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido, mas também reforçar a valorização e a promoção do setor olivícola e oleícola nacional, com o Alentejo como principal foco.
Continuidade e ambição
Em declarações a’ODigital.pt, Manuel Norte Santo explicou que a nova direção “é composta maioritariamente pelas mesmas pessoas e a estratégia é mais ou menos a mesma”, sendo que “a missão principal é continuar a estudar e a promover o azeite do Alentejo como um todo” e, sempre que possível, “promover e divulgar cada vez mais as marcas de cada um dos associados”.
O novo presidente afirmou ainda que pretende “criar uma marca ‘Azeite do Alentejo’ cada vez mais forte, cada vez mais reconhecida e com maior notoriedade, até nos mercados internacionais”.
Para isso, o CEPAAL vai apostar em “ações de promoção e eventos que permitam dinamizar o setor, promovendo o debate e a partilha de conhecimento entre profissionais”.
A força do Alentejo na produção nacional
O Alentejo é responsável por cerca de 80% a 90% da produção nacional de azeite e lidera na produção de azeite virgem extra, com mais de 66 mil hectares de olival intensivo em sebe, dos quais mais de 50 mil foram plantados apenas na última década, segundo dados do INE.
Ainda que estes dados sejam positivos, Manuel Norte Santo considerou que “vivemos um tempo de enormes desafios”, muito marcado por “contextos geopolíticos instáveis, conflitos com repercussões globais e incerteza económica e política”,
Porém também um tempo “de extraordinárias oportunidades”, fruto da “notável evolução que o setor oleícola português tem feito e da capacidade que as empresas e os produtores nacionais têm tido de se projetar em todo o mundo”.
Retomar a IGP e apostar no óleoturismo
Entre as principais prioridades da direção está a retoma do processo para a criação da Indicação Geográfica Protegida (IGP) do Azeite do Alentejo. Segundo o presidente, “esta foi uma ação desenvolvida por anteriores direções, que conseguiram em 2013 o reconhecimento da IGP a nível nacional, mas o processo acabou bloqueado na Comissão Europeia”.
Agora, o objetivo é “recriar o caderno de encargos e novas especificações para o produto”, de forma a conseguir uma certificação que “dê aos produtores um carimbo que causa muito mais impacto nos mercados internacionais”.
O CEPAAL está também a desenvolver o projeto “Alentejo Olival Experience”, uma rota do azeite que visa promover o óleoturismo, pois “achamos que é uma ferramenta que pode dar muita visibilidade”, afirmou Manuel Norte Santo.
Explicou ainda que já há trabalho no sentido da criação desta rota, mas também, “numa fase mais adiantada”, estão a ser preparadas sinergias “com a Rota dos Vinhos do Alentejo, para unificar esforços e criar uma só rota regional”, aberta a todos os produtores.
Unir um setor fragmentado
O novo presidente reconheceu que “o setor é um bocadinho fragmentado” e que “existem várias associações que trabalham de forma isolada”. Por isso, uma das intenções da nova direção é “unificar o setor”, porque “só neste esforço conjunto é que os produtores terão mais proveitos e mais impacto”.
Entre as medidas para este triénio está a criação de uma entidade interprofissional para o setor do azeite (AIFO), há muito prevista, mas nunca concretizada.
“Acredito que com essa entidade consigamos falar a uma só voz”, realçou Manuel Norte Santo, vincando que “depois, essa associação poderá fazer chegar ao consumidor, às entidades políticas e até aos agentes internacionais, aquilo que é necessário para o setor crescer.”
Manuel Norte Santo lembrou que “esta entidade é indispensável” e que “já existe em quase todos os países produtores de azeite”, destacando o exemplo de Espanha, onde “faz um trabalho excecional de promoção e de lobby político”.
Unir um setor fragmentado
O novo presidente do CEPAAL confessou que espera um “mandato desafiante”, num momento em que “as tarifas comerciais internacionais criaram muita instabilidade e muitos desafios aos produtores”.
Ainda assim, mostra-se otimista, pois “o azeite do Alentejo é muito reconhecido”, mesmo que “ainda não esteja ao nível de algumas marcas estrangeiras”.
Considerando que “ainda há muito caminho para trilhar”, Manuel Norte Santo, acredita que “com mais eventos, com mais debate e com mais união” será possível “levar o azeite do Alentejo ainda mais longe”.















