A OlivoMoura arrancou esta quinta-feira, em Moura, com o setor olivícola no centro das intervenções institucionais, numa edição marcada pelo debate em torno da competitividade, inovação e valorização do azeite produzido no Alentejo. Na sessão de abertura, o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, destacou o peso económico da fileira do azeite e defendeu uma estratégia orientada para o aumento do valor acrescentado da produção regional.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Ricardo Pinheiro referiu que o setor primário representa cerca de 12 mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto nacional, sublinhando que «o setor do azeite representa um contributo de mais de 4 mil milhões de euros em relação à dinamização económica».
O responsável considerou que eventos como a OlivoMoura devem assumir também um papel de reflexão estratégica sobre o futuro da agricultura e da olivicultura no Alentejo, defendendo uma articulação entre autarquias, entidades regionais e instrumentos de financiamento europeu.
Valorização do azeite e fundos comunitários
Ricardo Pinheiro afirmou que o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia será determinante para o setor agrícola e considerou necessário ajustar os instrumentos de financiamento às necessidades da agroindústria e da produção agrícola.
«É extraordinariamente importante que se continue a apostar num setor», afirmou, defendendo uma maior articulação entre os fundos da coesão territorial e o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum.
O presidente da CCDR Alentejo destacou ainda a necessidade de investir em investigação e desenvolvimento ligados à agricultura, considerando que o setor deve criar mais valor económico através da inovação.
Segundo afirmou, importa «financiar o desenvolvimento de produtos de investigação e desenvolvimento no setor primário» e apoiar «ideias que estão na cabeça das mulheres e dos homens que praticam e vivem a agricultura».
Subprodutos do olival e sustentabilidade
Outro dos temas abordados por Ricardo Pinheiro foi a valorização dos subprodutos resultantes da produção de azeite, defendendo novas soluções ligadas à economia circular e à sustentabilidade ambiental.
O responsável alertou para a necessidade de encontrar formas de reaproveitamento dos resíduos associados ao setor olivícola, nomeadamente na captação de carbono e na produção de energia.
«Temos a obrigação de perceber como somos capazes de dar mais vida e introduzir vida ao território», referiu, acrescentando que alguns subprodutos agrícolas podem contribuir para a produção de gases renováveis e para a soberania energética nacional.
Competitividade internacional do azeite
Nas palavras profeeridas, Ricardo Pinheiro abordou ainda os desafios da competitividade internacional, numa altura em que decorrem negociações relacionadas com o acordo do Mercosul.
O presidente da CCDR Alentejo considerou que o setor olivícola regional deve apostar cada vez mais na diferenciação e qualidade do produto, defendendo uma valorização superior do azeite produzido no Alentejo.
«Hoje não basta querermos dinamizar um determinado produto», afirmou, acrescentando que o azeite alentejano deve procurar «níveis de competitividade» que permitam aumentar «o valor acrescentado bruto em cada litro de azeite produzido a partir de Moura e produzido a partir do Alentejo».















