A violência doméstica continua a ser o crime com maior número de participações em Portugal, com impacto direto no desenvolvimento de crianças e jovens, alertou esta quinta-feira, 23 de abril de 2026, o diretor do Centro Distrital de Évora da Segurança Social, Nuno Alas, durante o I Seminário CPCJ de Borba.
De acordo com os dados mais recentes do Relatório Anual de Segurança Interna, foram registadas 29.644 participações em 2025, sendo 69% das vítimas mulheres. Segundo o responsável, o contexto familiar onde estes crimes ocorrem tem consequências diretas nas crianças, mesmo quando não são vítimas diretas. «A consequência desta violência […] na vida das crianças, nos seus direitos, no seu desenvolvimento, na sua saúde, no seu bem-estar, importa», afirmou.
Subnotificação e silêncio continuam a marcar fenómeno
Nuno Alas sublinhou que os números conhecidos podem não refletir a dimensão real do problema, devido à subnotificação. «Estes números poderão não retratar verdadeiramente a dimensão deste problema, porque a violência doméstica permanece na maior parte dos casos em casa», referiu.
Entre os fatores que contribuem para o silêncio das vítimas, destacou o medo, a dependência económica e emocional, a vergonha, bem como a falta de confiança nas instituições e o receio de estigmatização.
Normalização da violência preocupa autoridades
O responsável apontou ainda a normalização de comportamentos abusivos como um dos principais desafios atuais. «Cabe-nos […] combater aquilo que é a normalização da violência», afirmou, referindo que a exposição frequente a conteúdos violentos pode contribuir para a banalização destas situações.
Nuno Alas destacou que esta realidade exige uma resposta coletiva, envolvendo instituições, profissionais e sociedade em geral.
Impacto no desenvolvimento das crianças
Durante a sua intervenção, o diretor do Centro Distrital de Évora da Segurança Social alertou para as consequências da exposição à violência doméstica no desenvolvimento infantil. «A exposição à violência doméstica pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, emocional e social destas crianças», referiu.
Dados do Relatório CASA 2024 indicam que, das 5.678 crianças acolhidas em regime residencial em Portugal, a negligência e a exposição à violência doméstica foram as principais causas.
Resposta passa por intervenção preventiva e multidisciplinar
Nuno Alas defendeu a necessidade de reforçar a intervenção preventiva e articulada entre entidades. «Torna-se […] um dos maiores desafios […] ter uma atitude e um combate preventivo destas situações», afirmou.
No distrito de Évora, referiu a existência de várias instituições que prestam apoio a vítimas, incluindo estruturas de acolhimento e atendimento especializado. Destacou ainda o reforço da rede de Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, com previsão de alargamento em 2026.
O responsável concluiu sublinhando o compromisso da Segurança Social em colaborar com diferentes entidades para mitigar o problema e reforçar a proteção de crianças e jovens.















