“O Tapete Está na Rua” regressou esta quarta-feira ao centro histórico de Arraiolos, dando início a cinco dias de iniciativas dedicadas à valorização do Tapete de Arraiolos, numa edição marcada pelos avanços no processo de proteção e reconhecimento desta arte tradicional.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Jorge Macau, sublinhou que o evento nasceu com o objetivo de «promover, valorizar e projetar o Tapete de Arraiolos enquanto património cultural, expressão artística e também como um importante motor da economia local», destacando o papel da iniciativa na afirmação do concelho, na dinamização da atividade económica e na atração de visitantes.
Jorge Macau defendeu que a celebração do Tapete de Arraiolos está diretamente ligada à valorização do trabalho e das pessoas que mantêm viva esta tradição. «Estamos hoje para celebrar o Tapete de Arraiolos, um património construído pelas mãos, pelo saber e pela dedicação de gerações de artesãs e artesãos», afirmou.
Património vivo com raízes na comunidade
Ao longo dos próximos dias, o programa inclui recriações históricas do processo de confeção do Tapete de Arraiolos, desde a tosquia da lã até à bordadura final, permitindo aos visitantes acompanhar de perto as várias etapas desta arte secular. O autarca destacou ainda a criação de um espaço dedicado aos ofícios tradicionais, diversas exposições, a Feira do Livro, apresentações de obras literárias e a inauguração do novo espaço infantojuvenil da Biblioteca Municipal.
Entre as iniciativas previstas encontra-se também o Dia da Bordadeira, que voltará a colocar as artesãs nas ruas da vila, bem como visitas guiadas aos principais pontos de interesse patrimonial do concelho. A programação integra ainda animação de rua, teatro, dança, arraiais populares e atividades para famílias.
Segundo Jorge Macau, «o Tapete de Arraiolos não é apenas uma herança do passado, é um património vivo, capaz de se reinventar e de afirmar a sua relevância no presente e projetar-se para o futuro».
Mais de 200 crianças envolvidas na transmissão da tradição
Um dos projetos destacados pelo presidente da autarquia foi “Mãos Dadas com a Tradição”, integrado na iniciativa “Aprender para Transformar”, que pretende aproximar os mais jovens do saber-fazer associado ao ponto de Arraiolos.
«Esta iniciativa representa uma verdadeira ponte entre gerações», afirmou Jorge Macau, explicando que o projeto permite às crianças e jovens contactarem diretamente com as bordadeiras e conhecerem uma arte que integra a identidade do concelho. Segundo o autarca, mais de 200 crianças participam nesta ação.
Para o responsável municipal, a preservação do Tapete de Arraiolos passa pela valorização das pessoas que mantêm viva esta tradição e pela criação de condições para que as próximas gerações possam dar continuidade a esse legado.
Laboratório de Arte Têxtil avança este mês
Durante a intervenção, Jorge Macau anunciou ainda que a Câmara Municipal espera lançar durante o mês de junho o concurso público para a construção do Laboratório de Arte Têxtil Contemporânea, um projeto desenvolvido em parceria com a Universidade de Évora.
O equipamento pretende estabelecer uma ligação entre a tradição do Tapete de Arraiolos e novas formas de criação artística contemporânea, funcionando como espaço de investigação, inovação e experimentação.
Registo geográfico reforça candidatura à UNESCO
Outro dos pontos destacados pelo presidente da Câmara foi a publicação, em Diário da República, do registo da indicação geográfica do processo de confeção do Tapete de Arraiolos, ocorrida a 12 de maio deste ano.
Jorge Macau classificou esta medida como «um marco histórico na proteção e valorização desta arte secular», considerando que reforça a autenticidade do Tapete de Arraiolos e a sua ligação ao território.
Em paralelo, prossegue o processo de reconhecimento patrimonial que poderá culminar com a candidatura do processo de confeção do Tapete de Arraiolos a Património Cultural Imaterial da UNESCO.
Segundo o autarca, esta é uma «ambição que representa o reconhecimento internacional de um saber-fazer único e da dedicação de gerações de bordadeiras».
Jorge Macau considerou ainda que os avanços alcançados nos últimos anos resultam sobretudo do empenho da comunidade local, das artesãs, das casas de tapetes e da Câmara Municipal de Arraiolos, defendendo que a valorização deste património tem sido construída através de um trabalho continuado de promoção, investigação, formação e salvaguarda.
“O Tapete Está na Rua” decorre até domingo, reunindo exposições, animação cultural, cante alentejano, gastronomia, artesanato e concertos, numa iniciativa que volta a colocar o Tapete de Arraiolos no centro da vida cultural da vila.















































































































