A apresentação oficial das Festas do Povo de Campo Maior 2026, realizada este domingo no Centro Cultural, confirmou que o regresso do maior evento cultural da vila nasce, uma vez mais, da vontade da população.
A forte presença do público no anúncio marcou um momento simbólico que, segundo o presidente da Associação das Festas do Povo, João Manuel Nabeiro, reflete uma decisão coletiva amadurecida ao longo dos últimos meses.
«Basta haver uma pequena chama e não há dúvida nenhuma que o povo reage a essa chamada», afirmou João Manuel Nabeiro, sublinhando que a resposta da comunidade foi imediata quando a Associação lançou o desafio.
De acordo com o responsável, há cerca de três meses foi feita a convocatória aos membros da Associação e à população, tendo o envolvimento surgido de forma espontânea e generalizada.
Uma decisão que nasce da comunidade
As Festas do Povo não têm periodicidade fixa e realizam-se quando a população entende que estão reunidas as condições. Para João Manuel Nabeiro, esse momento chegou novamente. «Voltarão porque o povo quis. Voltarão porque a memória chamou», afirmou, explicando que, apesar de uma interrupção de 11 anos, a tradição nunca desapareceu, mantendo-se viva no seio da comunidade.
O presidente da Associação destacou que o anúncio oficial serviu sobretudo para assumir publicamente uma vontade que já estava consolidada. «Aquilo que hoje foi acima de tudo foi o anúncio oficial», referiu, acrescentando que o trabalho preparatório já decorre há vários meses, centrado na mobilização das pessoas e na organização das ruas.
Trabalho já em curso e ruas mobilizadas
Segundo João Manuel Nabeiro, o processo de preparação arrancou ainda antes do anúncio público, com a adesão clara da população. «O trabalho já começou há três meses. Todos responderam: estamos presentes, vamos para a frente com as Festas do Povo», afirmou, salientando que a manifestação de vontade ficou evidente também na moldura humana que encheu o Centro Cultural.
Atualmente, estão envolvidas cerca de uma centena de ruas, num esforço que mantém o modelo tradicional das festas, assente no trabalho voluntário e na responsabilidade direta de cada artéria da vila.
Internacionalização e partilha cultural
A edição de 2026 introduz também uma dimensão de partilha cultural com outros territórios. João Manuel Nabeiro revelou que estão previstas ligações com localidades como Estremoz, Redondo, Vila Nova de Cerveira, municípios da Extremadura espanhola e a região de Alicante. «O nosso propósito é internacionalizar as nossas festas», afirmou, explicando que os contactos estabelecidos resultaram numa aceitação generalizada do convite para integrar o evento.
Estas parcerias traduzem-se na presença de diferentes expressões de arte popular, mantendo o foco na identidade das Festas do Povo enquanto manifestação comunitária.
Investimento material, trabalho voluntário
Relativamente ao orçamento, o presidente da Associação apontou para um valor superior a 600 mil euros, sublinhando, no entanto, que o maior contributo não é contabilizado. «Aquilo que é gratuito é o trabalho de cada um e esse não é quantificado», afirmou, referindo-se às milhares de horas de dedicação voluntária envolvidas na produção das flores e das estruturas decorativas.
Um compromisso coletivo
Para João Manuel Nabeiro, as Festas do Povo de 2026 representam mais do que a realização de um evento. «Hoje não lançamos apenas um evento, lançamos um compromisso», afirmou, defendendo que a tradição se mantém viva pela capacidade da comunidade em cuidar do que recebeu e prepará-lo para o futuro.
A apresentação oficial deste domingo marcou, assim, o início visível de um processo coletivo que devolve a Campo Maior uma das suas mais marcantes expressões culturais, sustentada, como sempre, pela vontade e pelo trabalho do povo.















