O oleiro Feliciano Agostinho destacou esta sexta-feira a importância da continuidade da olaria tradicional de Viana do Alentejo, durante a abertura da quinta edição do FICO – Festival de Ilustração e Criatividade em Olaria.
Nas palavras proferidas, o artesão associou o festival à preservação da tradição oleira e à necessidade de garantir renovação geracional numa atividade que continua a ter poucos profissionais no concelho.
«Para mim, o FICO significa tradição, continuidade e modernidade», afirmou.
Segundo Feliciano Agostinho, o festival procura precisamente criar pontes entre a tradição da olaria local e novas abordagens artísticas e criativas, através da participação de artistas, residências e experiências ligadas à cerâmica.
«Uma das ideias que nós trazemos aqui também é trazer pessoas de fora, técnicas de fora e experiências de outros países», explicou.
Formação e renovação geracional
O oleiro recordou ainda os cursos de formação em olaria realizados em Viana do Alentejo através do IEFP, considerando que os resultados desse trabalho começam agora a surgir.
«Hoje temos cinco pessoas que estão ligadas à olaria, à cerâmica e à pintura», referiu.
Apesar disso, Feliciano Agostinho admitiu que o processo de renovação exige tempo e persistência.
«Como bom alentejano, eu espero que as coisas aconteçam, às vezes um pouco mais devagar do que nós queremos», afirmou. «Não pode ser muito rápido. Tem de ser devagar para ser bem feito.»
“Não podemos deixar acabar”
O artesão sublinhou a importância de iniciativas como o FICO para manter viva a tradição oleira de Viana do Alentejo.
«Aquilo que permite manter a tradição e ter a nossa história como povo», afirmou.
Feliciano Agostinho lembrou que atualmente existem apenas dois oleiros em atividade no concelho, defendendo a necessidade de continuar a envolver novas pessoas na atividade.
«Se nós somos só dois, infelizmente dois no ativo, mais os cinco que estão de novo, e se não for com este tipo de iniciativas, nós podemos deixar acabar», alertou.
O oleiro considerou ainda que o festival representa uma oportunidade para aproximar o público da olaria e incentivar a participação nas atividades ligadas ao barro e à cerâmica.
«Há muitos workshops, ninguém tem de pagar, é só aparecer», afirmou, convidando a população e os visitantes a participarem nas iniciativas do FICO.















