As culturas permanentes, sobretudo o olival, continuam a ganhar peso no perímetro de rega do Alqueva, enquanto as culturas anuais têm registado uma diminuição nos últimos anos, segundo o Anuário Agrícola de Alqueva 2025, divulgado pela EDIA e consultado pela agência Lusa.
De acordo com o documento da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), a área ocupada por culturas permanentes passou de cerca de 42 mil hectares em 2017 para 98 mil hectares no ano passado.
Em sentido inverso, a área de culturas anuais, como milho, trigo duro, hortícolas e leguminosas, tem vindo a diminuir, tendência que se tornou mais evidente a partir de 2023. Segundo o anuário, estas culturas passaram de cerca de 20 mil hectares para aproximadamente 15 mil hectares em 2025.
Segundo a EDIA, esta evolução resulta da maior estabilidade económica proporcionada pelas culturas permanentes, particularmente pelo olival, que apresentam maior rentabilidade a longo prazo, menor volatilidade de preços e maior eficiência no uso da água.
Nos cerca de 130 mil hectares atualmente regados pelo Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), o olival e o amendoal continuam a ser as culturas predominantes.
No caso do olival, a área aumentou de 74.059 hectares em 2024 para 76.728 hectares no ano passado. Já o amendoal registou uma ligeira redução, passando de 23.653 hectares para 22.728 hectares.
O anuário explica que esta evolução está associada aos preços verificados no mercado internacional do azeite e das amêndoas. No caso do amendoal, o documento refere que o setor ainda se encontra “numa curva de aprendizagem”, tendo sido substituídas plantações que não apresentavam as melhores condições produtivas.
A vinha e outros frutos secos continuam igualmente a beneficiar das condições de solo e clima da região abrangida pelo Alqueva.
Segundo a EDIA, tem também aumentado a introdução de fruticultura intensiva, com culturas como citrinos, romãzeiras e outros frutos.
O documento destaca ainda uma crescente preocupação com a sustentabilidade no setor agrícola da região, referindo a existência de vários referenciais e programas nesta área.
Entre os exemplos apontados estão os programas de sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo e do Azeite, o Alqueva Sustentável e o programa SustainGrowth.
Em 2024 foram ainda registados 350 hectares de culturas intercalares na área do empreendimento, prática agrícola que consiste na produção de plantas entre duas culturas principais para reduzir a erosão do solo e diminuir o uso de fertilizantes sintéticos.
O anuário identifica também a presença de projetos agrícolas com culturas como pistacho, dióspiro, cânhamo, batata ou manjericão.
Segundo o documento, estas culturas ainda têm uma expressão reduzida em termos de área cultivada, mas poderão ganhar maior relevância económica no futuro com a adaptação de variedades às condições locais e a criação de canais de comercialização.
No setor oleícola, em 2025 mantiveram-se 61 lagares na área de influência de Alqueva. No conjunto do Alentejo, o número destes equipamentos aumentou de 97 para 99.
De acordo com a EDIA, esta evolução está associada à modernização do setor, com a adoção de tecnologias mais eficientes, nomeadamente lagares de duas fases.
A primeira fase do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, com cerca de 120 mil hectares de regadio, foi concluída em 2016. A segunda fase, atualmente em curso, prevê a expansão da área de regadio em mais 30 mil hectares, dos quais cerca de 10 mil já estão em exploração.















