A freguesia de Orada, no concelho de Borba, volta este fim-de-semana a receber mais uma edição da Feira “Ervas & Companhia”, iniciativa dedicada à valorização das ervas aromáticas e medicinais, da gastronomia tradicional e das tradições rurais da região.
Durante dois dias, o Largo da Igreja transforma-se num espaço de encontro entre produtores, associações, visitantes e habitantes da freguesia, num certame que junta mercado tradicional, animação cultural, gastronomia, música e iniciativas ligadas ao património local.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara Municipal de Borba, Pedro Esteves, destacou que o objetivo do evento passa por «mostrar à Orada aquilo que na Orada se faz muito bem, que é manter as tradições». O autarca sublinhou ainda que a feira pretende valorizar práticas e expressões culturais que continuam vivas na freguesia.
«Queremos que toda a gente aqui se sinta bem, que provem sobretudo aquilo que são os meios tradicionais feitos com as ervas», afirmou, referindo ainda que a iniciativa pretende preservar elementos identitários da localidade, desde a música tradicional às manifestações culturais promovidas pelas associações locais.
Pedro Esteves considerou também que a Orada continua a ser «um ex-libris de Borba» no que respeita à preservação das tradições populares e do património imaterial.
Associações locais no centro da organização
A edição deste ano, á semelhança de anos aneriores, é organizada pela Casa da Cultura de Orada, em parceria com a Junta de Freguesia e o Município de Borba. Para João Leitão, presidente da Junta de Freguesia de Orada, o evento já se tornou «um elemento estruturante da freguesia».
O autarca explicou que a feira nasceu com o objetivo de dinamizar a utilização das ervas aromáticas e medicinais, valorizando conhecimentos antigos ligados à alimentação e ao quotidiano rural.
«O uso das plantas aromáticas era basicamente usado na culinária, nas sopas. Quem trabalhava nas terras alimentava-se muito das sopas e utilizava as ervas que tinha nos quintais», recordou. Segundo João Leitão, atualmente existe também «uma procura maior» deste tipo de produtos devido aos benefícios associados à alimentação e à saúde.
O presidente da Junta destacou igualmente o papel das coletividades locais na preservação da identidade da freguesia.
«Quando este tipo de eventos é organizado pelas associações é totalmente diferente. Ainda há a força de querer trabalhar pela terra e essa entrega é essencial para que estas coisas aconteçam», afirmou.
Entre os momentos mais aguardados da programação volta a estar o Festival de Sopas, apontado por João Leitão como «um ponto alto» da iniciativa, por envolver diretamente a população local. «Cada uma faz a sua sopa com as suas especiarias e depois há aqui uma prova para todos», referiu.
“As plantas serviram de sobrevivência”
Também o presidente da Casa da Cultura de Orada, Paulo Laranjo, reforçou a ligação histórica da freguesia às plantas alimentares e medicinais.
«Os nossos antepassados tanto utilizaram estas plantas que chegaram a servir de sobrevivência para o dia a dia», afirmou, explicando que muitas famílias recorriam ao que a natureza oferecia para preparar as refeições.
Segundo o responsável, o objetivo do certame passa por continuar a valorizar esse património e dar a conhecer «o potencial que essas mesmas plantas têm». Paulo Laranjo salientou ainda a importância da parceria entre a associação, a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, considerando que só com esse trabalho conjunto é possível assegurar o crescimento do evento.
A abundância de chuva nos últimos meses também favoreceu o aparecimento de ervas silvestres, um dos elementos centrais do certame. O passeio pedestre dedicado à descoberta das plantas da região continua a ser um dos momentos mais procurados da programação.
Coesão territorial e valorização do mundo rural
Presente na inauguração esteve também o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, que, aos jornalistas, enquadrou a importância da iniciativa no contexto das políticas de coesão territorial e dos fundos comunitários.
O responsável considerou que eventos desta natureza são relevantes para ajudar à fixação de população nos territórios rurais e para criar valor económico associado aos recursos locais.
«É extraordinariamente importante que projetos que dinamizem os territórios continuem a incentivar as mulheres e os homens a fixar-se e a manter o seu modelo de vida em territórios rurais», afirmou.
Ricardo Pinheiro referiu ainda que atividades ligadas às ervas aromáticas, à produção de mel e à gastronomia tradicional representam exemplos de valorização dos recursos endógenos.
«Há boas práticas a nível europeu onde este tipo de iniciativas já apresenta resultados importantes», disse, defendendo que os próximos programas de apoio comunitário devem continuar a apoiar ações desta natureza.
Entre sabores tradicionais, música popular, artesanato e reencontros entre gerações, a Feira “Ervas & Companhia” voltou assim a afirmar-se como um espaço de valorização da identidade rural da freguesia de Orada e das tradições ligadas ao território.













































































