Francisco Miranda Rodrigues, Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, afirmou recentemente que medida dos cheques-psicólogo deveria abranger «outras populações»
Em declarações à Agência Lusa, o bastonário referiu também que este desígnio poderá ser «eventualmente» uma medida no «futuro», já que a preocupação com a saúde mental tem sido transversal aos poderes políticos.
«Acho que se deu um salto muito grande, estamos muitíssimo melhor do que o que estávamos há três, cinco ou dez anos atrás», acrescentou.
Destacou que há também «uma procura muitíssimo maior» e que as pessoas «falam em todos os fóruns muito abertamente sobre o tema».
Por isso, Francisco Miranda Rodrigues assumiu que o próximo passo deveria ser dado no sentido das crianças.
«Quanto mais de tenra idade existe o acesso natural a profissionais desta área, como são os psicólogos, muito menos estigma existirá», disse.
Contudo, Raquel Raimundo, presidente da Delegação Regional do Sul da Ordem dos Psicólogos, comentou a’ODigital que seria uma boa opção de futuro, mas que «temos um número muito reduzido de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), infelizmente».
«Gostaríamos que existisse uma intervenção clínica disponível à população em geral no SNS», acrescentou, dizendo ainda que «é talvez dos serviços públicos onde existe mais falta de psicólogo».
Uma «escassez gritante», principalmente «nos cuidados de saúde primários», mesmo que tenha havido «uma maior aposta no setor público» com a contratação de psicólogos: «Isso não foi acompanhado no SNS».
«Temos cerca de um psicólogo por concelho nos cuidados de saúde primários em Portugal Continental. É muito escasso», complementou a presidente.
Em relação aos mais jovens, estes cheques-psicólogo seria o atribuir de «um direito que lhes é devido» e que «têm lutado muito, e bem», mas Raquel Raimundo deixou ainda outro alerta.
«Não podemos descuidar a nossa população mais vulnerável e desfavorecida. Sabemos que muitas vezes há associações entre as perturbações mentais e outros tipos de dificuldades socioeconómicas, nomeadamente a pobreza», atirou.
Frisou também que, no sistema privado de saúde, há a possibilidade de os seguros de saúde abrangerem o cuidado psicológico e que o prolongar de uma falta de resposta por parte do Estado pode «contribuir para termos ainda maiores dificuldades e níveis ainda maiores de perturbação».
«O Estado regula aquilo que é o setor público e vem-nos logo à cabeça o SNS, mas há várias empresas que têm sistemas semelhantes aos cheques-psicólogo para os seus trabalhadores. Com psicólogos externos, ou internamente, ou que se preocupam mais», concluiu a presidente.















