A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, destacou a gestão da água como eixo central para o desenvolvimento da agricultura, durante a inauguração da Ovibeja 2026, em Beja, apontando o Alentejo como uma das regiões prioritárias na estratégia nacional.
Nas palavras proferidas, a governante sublinhou que «a água é um recurso imprescindível para todos os sectores e, em particular, para a agricultura», enquadrando a política hídrica como um instrumento transversal à economia e ao território .
Estratégia nacional com foco no Alentejo
Maria da Graça Carvalho explicou que a resposta à escassez hídrica levou à criação de uma estratégia nacional, inicialmente aplicada ao Algarve e agora alargada a todo o país.
«Estamos a seguir critérios científicos e técnicos da escassez hídrica» e, por isso, «a próxima região é exatamente a região do Alentejo», afirmou, referindo áreas como Odemira, Alcácer do Sal e Grândola como zonas prioritárias .
No âmbito desta estratégia, adiantou que estão previstos «cerca de 586 milhões de euros em projetos» para o ciclo urbano da água na região, incluindo sistemas de abastecimento e infraestruturas em vários concelhos .
Infraestruturas e reforço da capacidade hídrica
A ministra destacou projetos estruturantes, como a Barragem do Pisão, considerando tratar-se de uma infraestrutura com impacto relevante para o território.
«Para nós, o Pisão é um projeto muito importante», afirmou, apontando contributos para a agricultura, abastecimento público e produção de energia .
Referiu ainda o aumento da capacidade de utilização da água do Alqueva, indicando que foi aprovado «um aumento de 110 hectómetros cúbicos no volume anual», dos quais «100 são para a agricultura» .
Uso eficiente e articulação entre setores
Maria da Graça Carvalho defendeu uma abordagem integrada na gestão da água, sublinhando que a estratégia assenta na otimização do recurso.
«Partimos do facto que existe um único recurso, a água, e ao otimizar a sua utilização estamos a beneficiar todos os setores», afirmou, referindo a articulação entre indústria, consumo humano e agricultura .
A governante destacou também a necessidade de uso racional, considerando que «as primeiras prioridades são exatamente o uso racional da água», tanto no setor urbano como agrícola .
Ambiente, energia e agricultura em articulação
Na intervenção, a ministra sublinhou ainda a integração entre políticas ambientais e agrícolas, defendendo a conciliação entre proteção dos recursos naturais e criação de valor económico.
Segundo afirmou, o objetivo passa por «conciliar a proteção da natureza e da biodiversidade com a criação de valor acrescentado para as pessoas e para a economia» .
A participação decorreu na sessão inaugural da Ovibeja 2026, onde a gestão da água e os investimentos no Alentejo assumiram destaque no debate sobre o futuro da agricultura e do território.















